Banco Central veta compra do Banco Master pelo BRB

Banco Central veta compra do Banco Master pelo BRB
Banco Central rejeita operação de R$ 2 bilhões que permitiria ao BRB adquirir o Banco Master; decisão surpreende o mercado e levanta dúvidas sobre a saúde financeira da instituição/Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Publicado em 04/09/2025 às 11:30

Da redação de LexLegal

Banco Central (BC) rejeitou a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação avaliada em cerca de R$ 2 bilhões e que vinha sendo analisada desde março. A decisão, comunicada na noite desta quarta-feira (3) por meio de fato relevante do BRB à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), representa um revés importante para a estratégia de expansão do banco estatal e coloca novas incertezas sobre o futuro do Master.

Mais notícias: Conselho Monetário aperta regras do Fundo Garantidor de Créditos após caso do Banco Master

De acordo com o comunicado, o BRB foi informado oficialmente sobre o indeferimento do pedido e já solicitou acesso à íntegra da decisão para avaliar os fundamentos e eventuais alternativas.

“O BRB – Banco de Brasília S.A. comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que foi informado pelo Banco Central sobre o indeferimento do requerimento protocolado em 28 de março de 2025, referente à aquisição de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master S.A. O BRB apresentou solicitação de acesso à íntegra da decisão, com o objetivo de avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis”, informou a instituição.

No mesmo texto, o BRB reiterou que a transação representava uma “oportunidade estratégica com potencial de geração de valor para o banco, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional”.

Tentativa de expansão frustrada

A operação foi aprovada há pouco mais de dez dias pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e sancionada pelo governador Ibaneis Rocha, atendendo a exigência judicial que autorizava o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Master. A medida era vista como fundamental para ampliar a presença do banco público no mercado nacional e diversificar sua atuação no setor financeiro.

Desde o anúncio da operação, as ações do BRB chegaram a se valorizar 23% na B3, reflexo da expectativa positiva dos investidores sobre a expansão.

Negócio polêmico e resistência no mercado

Desde o início, a transação enfrentava forte resistência no mercado. O Banco Master, embora agressivo na captação de recursos — oferecendo remuneração de até 140% do CDI em seus papéis, muito acima da média de bancos menores (110% a 120% do CDI) — carregava desconfiança sobre sua real situação financeira.

A instituição não publicou o balanço referente a dezembro do ano passado, falhou em uma tentativa de emissão de títulos em dólares e vinha sendo questionada por suas operações com precatórios (títulos de dívidas judiciais de governos). Essas incertezas elevaram o risco percebido por investidores e reguladores.

Tentativas de venda fracassadas

A crise do Master já havia atraído o interesse de outros bancos. O BTG Pactual chegou a oferecer R$ 1 para assumir o controle do banco, sob a condição de que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) cobrisse o passivo da instituição. O acordo, porém, não avançou diante da falta de consenso entre os bancos que compõem o FGC.

O episódio reforçou a percepção de que a compra do Master poderia se transformar em um problema financeiro para qualquer potencial adquirente, incluindo o BRB.

Outras notícias: Justiça suspende decisão que barrou compra do Banco Master pelo BRB

Com a decisão do Banco Central, resta ao BRB avaliar se apresentará recurso ou se buscará alternativas de expansão fora do Master. Para o mercado, a rejeição sinaliza que o regulador está atento a potenciais riscos sistêmicos e à necessidade de preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional.

Já o futuro do Banco Master permanece incerto, pressionado pela necessidade de capitalização, pela dificuldade de captar recursos no mercado e pela crescente desconfiança sobre sua situação patrimonial.

SÃO PAULO WEATHER