Ativista brasileiro pró-palestina é barrado em aeroporto na Argentina

Ativista brasileiro pró-palestina é barrado em aeroporto na Argentina
Entrada foi negada após chegada com esposa e filha para evento político/Paulo Pinto/Agência Brasil
Publicado em 01/04/2026 às 9:31

Da redação de LexLegal

O ativista brasileiro de direitos humanos Thiago Ávila foi impedido de entrar na Argentina, ao desembarcar em Buenos Aires com a esposa e a filha pequena. Segundo relatos divulgados por apoiadores e familiares, ele teve a entrada no país negada ao chegar a um dos aeroportos da capital.

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De acordo com informações divulgadas nas redes sociais por pessoas próximas ao ativista, ele viajava para participar de encontros e debates relacionados a uma mobilização internacional voltada ao envio de ajuda humanitária a populações afetadas por conflitos no Oriente Médio.

A articulação da qual Ávila participa reúne grupos da sociedade civil que buscam denunciar violações de direitos humanos e mobilizar apoio internacional para regiões sob bloqueio, com foco especial na Faixa de Gaza.

Em nota pública, a organização da qual o ativista faz parte relatou que ele, a esposa e a filha, uma criança com menos de dois anos, foram abordados por agentes de segurança ao desembarcarem no aeroporto localizado na área central de Buenos Aires. A família vinha de compromissos realizados anteriormente no Uruguai.

“O ativista foi separado de sua família por alegações de problemas com o passaporte. Dali, foi encaminhado para uma delegacia onde os policiais o disseram que sabiam quem ele era, que não seria bem-vindo na Argentina, e que não seguiria para a atividade”, informou a entidade.

Ainda segundo relatos divulgados por apoiadores, a decisão teria partido de instâncias superiores do governo argentino. Parlamentares locais mencionaram que a determinação teria vindo do “alto escalão do governo argentino”.

Até o momento, autoridades argentinas não divulgaram posicionamento oficial sobre o caso nem esclareceram os motivos que levaram à recusa da entrada do ativista no país.

O episódio ocorre em um contexto político sensível envolvendo a política externa do governo argentino. O atual presidente Javier Milei tem adotado posicionamentos públicos de apoio ao Estado de Israel e às ações militares realizadas na Faixa de Gaza, alinhando-se a governos que defendem a continuidade da ofensiva militar na região.

Segundo a organização que acompanha o caso, após a negativa de entrada no país, os agentes tentaram embarcar o ativista de volta ao Uruguai de forma imediata. Ele teria recusado inicialmente a ordem de retorno.

Ainda conforme o relato divulgado, após negociações, foi acordado que o ativista seguiria viagem a partir de outro aeroporto da capital argentina. O embarque para Barcelona estava previsto para esta quarta-feira (1º), conforme agenda previamente definida.

O caso reacende discussões sobre restrições migratórias motivadas por posicionamentos políticos ou atividades de ativistas em âmbito internacional. Episódios desse tipo têm sido acompanhados por organizações internacionais de direitos humanos, que monitoram medidas consideradas restritivas à liberdade de circulação.

O nome do ativista já havia ganhado repercussão internacional em episódios anteriores relacionados à tentativa de envio de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. No ano passado, ele integrou um grupo de ativistas que tentava chegar ao território por via marítima.

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Na ocasião, segundo relatos divulgados à época, o grupo foi interceptado por forças militares israelenses e detido durante a operação. Entre os participantes estavam brasileiros e cidadãos de outros países envolvidos em ações humanitárias.

Após repercussão internacional, os ativistas acabaram liberados posteriormente, depois de permanecerem sob custódia e denunciarem maus-tratos durante o período de detenção.

SÃO PAULO WEATHER