Ataque dos EUA à Venezuela gera volatilidade em ouro, dólar e petróleo

Da redação de LexLegal
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, país que concentra a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, provocou oscilações nos mercados financeiros globais, com reflexos imediatos nas cotações do dólar, do ouro e do petróleo. Para especialistas, no entanto, os movimentos observados têm caráter predominantemente especulativo e não decorrem do peso efetivo do petróleo venezuelano no comércio internacional.
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Professor do Programa de Planejamento Energético do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Alexandre Szklo avalia que a influência da Venezuela sobre o mercado global de petróleo é atualmente limitada. Segundo ele, o país responde hoje por menos de 1% da oferta mundial da commodity, apesar do volume expressivo de reservas.
De acordo com o pesquisador, dois fatores explicam essa participação reduzida. O primeiro está relacionado aos embargos econômicos impostos pelos Estados Unidos, que restringem a capacidade de exportação do petróleo venezuelano. O segundo envolve as características do óleo extraído no país, classificado majoritariamente como pesado ou extrapesado, o que exige refinarias de alta complexidade, concentradas sobretudo na região do Golfo do México e nos Estados Unidos.
A condição de maior reserva mundial, segundo Szklo, não significa acesso imediato ou automático a essa riqueza. A exploração do petróleo envolve uma cadeia longa e custosa, que inclui etapas de planejamento, estudos geológicos, perfuração, extração, processamento, refino, distribuição e comercialização. A ausência de infraestrutura adequada limita a transformação do potencial em produção efetiva.
Pequena participação
Para o professor da Coppe, existe uma diferença clara entre o volume de reservas existentes no subsolo venezuelano e a quantidade de petróleo que o país consegue, de fato, ofertar ao mercado internacional. Ele explica que boa parte dessas reservas permanece inexplorada, justamente pela falta de investimentos, sanções econômicas e limitações tecnológicas.
Segundo Szklo, o impacto de curto prazo da Venezuela sobre os preços internacionais do petróleo tende a ser restrito. Ele ressalta que nem todas as refinarias do mundo possuem capacidade técnica para processar óleos pesados, o que reduz ainda mais o alcance global do produto venezuelano. Nesse cenário, o petróleo do país teria maior relevância apenas para refinarias mais sofisticadas, localizadas principalmente nos Estados Unidos.
Apesar disso, o especialista observa que, em uma perspectiva de longo prazo, a produção venezuelana pode ganhar importância caso haja mudanças no ambiente político, no regime de sanções e na capacidade de investimentos no setor energético.
Comércio clandestino
Outro ponto destacado pelo pesquisador é o crescimento do comércio clandestino de petróleo, fenômeno associado às sanções internacionais. Segundo Szklo, países produtores submetidos a embargos, como Venezuela, Irã e Rússia, recorrem a estruturas paralelas para escoar parte da produção.
Ele explica que esse tipo de comércio envolve as chamadas frotas fantasmas, formadas por navios petroleiros que operam fora dos padrões tradicionais de seguro e registro. A ausência de cobertura formal eleva os custos e os riscos do transporte, criando um mercado paralelo sustentado por prêmios mais altos de frete.
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De acordo com estimativas citadas pelo especialista, cerca de 300 grandes embarcações poderiam integrar essas frotas, ampliando os riscos ambientais e operacionais associados ao transporte de petróleo fora dos circuitos regulares.