“Aqui ninguém põe a mão”: Lula reage a interesse dos EUA nos minerais estratégicos do Brasil

“Aqui ninguém põe a mão”: Lula reage a interesse dos EUA nos minerais estratégicos do Brasil
A fala foi motivada por uma reunião entre o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, e representantes do Instituto Brasileiro de Mineração/Reprodução/Youtube
Publicado em 25/07/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu com veemência a soberania brasileira sobre seus recursos naturais estratégicos, em resposta ao recente interesse dos Estados Unidos em firmar acordos para aquisição de minerais como lítio, nióbio e elementos terras raras. Durante evento oficial em Minas Novas (MG), nesta quinta-feira (24), Lula afirmou que o Brasil não aceitará interferência externa nas decisões sobre seu patrimônio mineral. “Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, declarou.

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A fala foi motivada por uma reunião entre o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, e representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). De acordo com Raul Jungmann, presidente do instituto, os diplomatas norte-americanos demonstraram forte interesse em formalizar acordos com o Brasil sobre minerais estratégicos. Jungmann, no entanto, foi enfático ao lembrar que os recursos minerais pertencem à União e que eventuais negociações devem ocorrer exclusivamente com o governo federal. “Essa é uma pauta do governo. Nós estávamos preocupados em estreitar uma pauta e fazer contrapartidas com o setor privado e também com o Congresso americano. Mas, repito: isso é algo que diz respeito privativamente ao governo Lula e à sua estratégia de negociação”, disse.

A geopolítica dos minerais críticos

O crescente interesse norte-americano nos chamados minerais estratégicos brasileiros faz parte de uma política mais ampla conduzida pelo ex-presidente e atual pré-candidato Donald Trump. Além do Brasil, os EUA pressionaram países como Ucrânia e China por acesso privilegiado a recursos considerados críticos para a indústria de tecnologia e defesa. Segundo relatos, Trump chegou a condicionar ajuda militar à Ucrânia a acordos de cessão de terras raras e negocia atualmente com Pequim um pacto envolvendo minerais em troca da retirada de tarifas comerciais.

O Brasil é peça-chave nesse cenário. De acordo com o Serviço Geológico dos EUA, o país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, que hoje domina o refino e a produção desses insumos. Ainda assim, a participação brasileira na produção global é de apenas 1%, o que revela um potencial ainda inexplorado — e ao mesmo tempo, estratégico.

O valor dos minerais do futuro

Os minerais estratégicos estão no centro das transformações tecnológicas e energéticas do século 21. Elementos como lítio, cobalto, grafite, cobre, urânio e nióbio são essenciais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, chips, carros elétricos, satélites e equipamentos militares. Com o avanço da transição energética e a corrida tecnológica entre potências, a busca por acesso seguro a esses insumos se intensificou.

A pressão geopolítica sobre o Brasil aumenta especialmente em um momento delicado: faltam apenas oito dias para expirar o prazo dado por Trump para impor novas tarifas sobre produtos brasileiros, elevando a tensão nas relações comerciais entre os dois países. No mesmo discurso, Lula mandou um recado direto a Washington: “A única coisa que eu peço ao governo americano é que respeite o povo brasileiro como eu respeito o povo americano”.

Soberania e industrialização

Embora o Brasil tenha vantagens naturais — como vasto território, matriz energética limpa e tradição mineradora —, o grande desafio é transformar essas riquezas em desenvolvimento nacional. Hoje, grande parte dos minerais extraídos no país é exportada in natura. Especialistas e autoridades defendem que o país avance no refino, agregação de valor e inovação tecnológica, criando uma cadeia produtiva própria para competir globalmente.

Nesse sentido, o governo federal já anunciou medidas para fortalecer o setor mineral com foco em transformação industrial, pesquisa científica e parcerias estratégicas. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) têm atuado na identificação de reservas, enquanto instituições de ensino e centros de inovação desenvolvem tecnologias para beneficiamento local dos insumos.

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A disputa pelos minerais do futuro não é apenas econômica, mas também geopolítica. O Brasil se encontra em posição privilegiada, mas também delicada, entre os interesses das grandes potências. A resposta do presidente Lula é um sinal claro de que o país pretende exercer sua soberania sobre seus recursos naturais, ao mesmo tempo em que busca inserção internacional com protagonismo e benefícios para o desenvolvimento nacional. A forma como o Brasil conduzirá essa agenda — entre a proteção do patrimônio e a inserção em cadeias globais de valor — definirá seu papel no século XXI.

SÃO PAULO WEATHER