Apagão afeta todo o país após incêndio em subestação no Paraná

Apagão afeta todo o país após incêndio em subestação no Paraná
Incêndio em subestação de Bateias, no Paraná, provocou apagão em todos os subsistemas do país; ONS e MME investigam causas do incidente/Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 14/10/2025 às 13:30

Da redação de LexLegal

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou que um apagão atingiu todas as regiões do Brasil na madrugada desta terça-feira (14), após um incêndio em um reator da Subestação de Bateias, no Paraná. O incidente provocou a interrupção de cerca de 10 mil megawatts (MW) de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN), afetando simultaneamente os subsistemas Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

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De acordo com o ONS, o problema começou por volta das 0h32, quando a subestação de 500 kilovolts (kV) foi completamente desligada. “No momento, a Região Sul exportava cerca de 5 mil MW para o Sudeste/Centro-Oeste”, informou o órgão. A perda de carga foi distribuída entre as regiões: 1,6 mil MW no Sul, 1,9 mil MW no Nordeste, 1,6 mil MW no Norte e 4,8 mil MW no Sudeste.

“Assim que identificou a situação, o ONS iniciou ação conjunta com os agentes para restabelecer a energia nas regiões”, informou o operador em nota.

O retorno da energia ocorreu de forma gradual. Segundo o ONS, as regiões Norte, Nordeste e Sudeste/Centro-Oestetiveram o fornecimento restabelecido em até uma hora e meia, enquanto a Região Sul foi normalizada por completo duas horas e meia após a falha.

Uma reunião com os principais agentes do setor elétrico foi convocada ainda nesta terça-feira para analisar o episódio. O ONS também agendou uma reunião preliminar de Análise da Perturbação até sexta-feira (17), quando deve apresentar um relatório técnico detalhando as causas do incêndio e as medidas preventivas a serem adotadas.

Ministro nega falta de energia e destaca infraestrutura

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que o apagão foi provocado por um problema de infraestrutura, e não por escassez de geração elétrica. Ele explicou que o incêndio na subestação paranaense afetou o sistema de transmissão de energia, mas ressaltou que o país dispõe de capacidade energética suficiente para atender à demanda.

“É importante que a população entenda o que acontece neste momento. Não é falta de energia. É um problema na infraestrutura que transmite a energia. Quando se fala em apagão, a gente sempre lembra daqueles tristes episódios de 2001 e 2021, que aconteceram por falta de energia e planejamento. Hoje, não. Hoje, nós temos muita energia”, afirmou o ministro em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC.

Silveira também elogiou a atuação do ONS pela rapidez no restabelecimento do sistema.

“É um episódio pontual que o Operador Nacional do Sistema deu pronta resposta graças a um moderno sistema de monitoramento”, disse.

Sistema reforçado e obras em andamento

Durante a entrevista, Alexandre Silveira destacou que o sistema de transmissão brasileiro vem sendo ampliado nos últimos anos, com R$ 70 bilhões em investimentos contratados para a construção e modernização de linhas de transmissão.

“Estamos com obras em todo o Nordeste para o centro de carga, que é o Sudeste. E também ligamos Manaus a Boa Vista. Temos mais segurança energética”, ressaltou o ministro.

Essas medidas fazem parte do plano de expansão da malha elétrica nacional, que busca reduzir gargalos no transporte de energia entre regiões e garantir estabilidade no fornecimento, especialmente diante do aumento da produção de energia limpa e renovável no país.

O Ministério de Minas e Energia (MME) e o ONS devem se reunir às 11h desta terça-feira para discutir as causas do apagão e avaliar a necessidade de medidas preventivas adicionais. O ministro afirmou que dados técnicos mais detalhados serão divulgados após as reuniões com os agentes do setor.

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“Agora, às 11h, é natural que a gente tenha dados mais apurados para poder passar para a imprensa. Mas o fundamental foi o restabelecimento rápido do sistema e, tão importante quanto, é apurar o que causou o início do processo de apagão para evitar novos episódios”, concluiu Silveira.

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