Anvisa proíbe canetas emagrecedoras do Paraguai

Anvisa proíbe canetas emagrecedoras do Paraguai
Canetas emagrecedoras sem registro sanitário foram proibidas após circulação em redes sociais e importação irregular/Reprodução
Publicado em 15/04/2026 às 10:30

Da Redação de LexLegal

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda, distribuição, importação e uso das canetas emagrecedoras Gluconex e Tirzedral no Brasil. Os produtos vinham sendo trazidos do Paraguai e eram anunciados em redes sociais, mesmo sem autorização sanitária para circulação no país.

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A decisão ocorre em um momento de forte crescimento da procura por medicamentos para emagrecimento e aumento da circulação de produtos sem registro formal. A Anvisa informou que as duas marcas são consideradas irregulares por não possuírem fabricante identificado e por não terem autorização para comercialização no território nacional.

Produtos sem registro entram na mira da fiscalização

As canetas Gluconex e Tirzedral utilizam a tirzepatida como princípio ativo, substância desenvolvida e registrada pela farmacêutica Eli Lilly no medicamento Mounjaro. No Brasil, a empresa detém a patente dessa substância até 2036, o que garante exclusividade para fabricar e vender medicamentos com esse composto durante esse período.

Na prática, isso significa que outras marcas que utilizem o mesmo princípio ativo precisam cumprir exigências legais e sanitárias rigorosas para obter autorização. Sem registro aprovado pela Anvisa, qualquer produto é considerado irregular e não pode ser comercializado.

Segundo a agência, as duas marcas proibidas não apresentam dados claros sobre quem produz o medicamento. Isso impede a verificação de informações essenciais, como origem dos insumos, qualidade da fabricação e condições de armazenamento.

A ausência dessas informações representa um risco direto à saúde pública. Sem controle sanitário, não há garantia sobre a composição do produto, a dosagem correta ou a segurança para uso humano.

A Anvisa também destacou que encontrou diversas publicações nas redes sociais oferecendo esses medicamentos, especialmente em perfis ligados à importação informal de produtos vindos do Paraguai. Com a decisão, a entrada desses itens no país passa a ser proibida.

Alta demanda por remédios para emagrecimento amplia riscos

O avanço do mercado de medicamentos para emagrecimento tem impulsionado a circulação de produtos paralelos, muitas vezes vendidos fora dos canais oficiais. Esse cenário tem aumentado a pressão sobre autoridades sanitárias para reforçar fiscalização e ampliar o controle sobre importações ilegais.

A tirzepatida, substância presente nas canetas proibidas, ganhou destaque internacional por ser usada em tratamentos para diabetes e obesidade. Medicamentos desse tipo atuam no controle do apetite e no metabolismo, mas exigem acompanhamento médico e controle rigoroso de qualidade.

Outro fator que contribui para o aumento da oferta de produtos semelhantes é o vencimento de patentes de medicamentos relacionados ao tratamento da obesidade. Recentemente, a patente da semaglutida, utilizada em remédios como Wegovy e Ozempic, perdeu exclusividade em alguns mercados.

Esse movimento abriu espaço para novos fabricantes apresentarem versões próprias do medicamento, desde que cumpram exigências sanitárias. No Brasil, a Anvisa informou que analisa ao menos 17 pedidos de registro de canetas com esse princípio ativo, incluindo propostas de empresas nacionais.

O processo de registro sanitário envolve análise técnica detalhada. A agência avalia dados clínicos, segurança, eficácia e qualidade do produto antes de autorizar sua comercialização. Esse procedimento busca reduzir riscos e evitar que medicamentos sem comprovação adequada cheguem ao consumidor.

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A fiscalização tem sido intensificada justamente por causa do crescimento da demanda e do surgimento de mercados paralelos. Medicamentos vendidos fora dos canais oficiais podem apresentar riscos graves, incluindo substâncias adulteradas ou dosagens inadequadas.

SÃO PAULO WEATHER