ANP autua 21 empresas por suspeita de preço abusivo de combustíveis

Da Redação de LexLegal
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) identificou indícios de preços abusivos em distribuidoras de combustíveis e revendas de gás de cozinha durante uma operação de fiscalização realizada nos últimos três meses. Ao todo, foram emitidos 21 autos de infração após mais de 2 mil inspeções em empresas do setor.
Os dados mostram que a agência realizou 2.111 fiscalizações entre março e junho. As ações atingiram postos de combustíveis, distribuidoras, transportadoras e revendedores de GLP, o gás de cozinha.
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Segundo a ANP, as autuações foram aplicadas a 16 distribuidoras localizadas em São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Rio de Janeiro. Outras cinco autuações atingiram revendas de gás de cozinha nos estados do Ceará e do Pará.
Fiscalização aumentou após crise no Oriente Médio
A intensificação das fiscalizações ocorreu após a escalada das tensões no Oriente Médio, que provocou aumento dos preços internacionais do petróleo e seus derivados.
Com a alta global, o governo federal passou a monitorar com mais rigor a formação de preços no mercado brasileiro. O receio era que empresas utilizassem o cenário internacional para justificar reajustes incompatíveis com seus custos reais.
A responsabilidade de fiscalizar possíveis abusos foi atribuída à ANP por meio da Medida Provisória 1.340/2026, editada após o agravamento do conflito internacional.
Como a ANP identifica aumento abusivo
Para verificar se houve irregularidade, a agência analisa documentos fiscais e informações comerciais das empresas fiscalizadas.
Os técnicos comparam os valores pagos na compra de combustíveis com os preços efetivamente cobrados dos consumidores. Quando encontram diferenças consideradas incompatíveis com a evolução dos custos, a ANP abre procedimento de investigação.
Além das visitas presenciais, a fiscalização também utiliza mecanismos remotos para coleta de dados.
Caso sejam encontrados indícios de irregularidade, os estabelecimentos são notificados para apresentar documentos adicionais e justificar a formação dos preços. A agência afirma que todos os processos garantem direito de defesa às empresas investigadas.
Número de operações vai crescer 40%
A diretoria da ANP aprovou nesta semana uma nova fase da operação de fiscalização.
A previsão é realizar cerca de 3 mil vistorias entre julho e setembro, volume 40% superior ao registrado no trimestre anterior.
O plano inclui ações educativas, operações ostensivas e medidas coercitivas voltadas ao combate de práticas consideradas oportunistas no mercado de combustíveis.
A agência argumenta que o objetivo é aumentar a transparência do setor e impedir que oscilações internacionais sejam utilizadas para justificar aumentos sem fundamento econômico.
Governo também subsidia combustíveis
A fiscalização mais intensa faz parte de um conjunto de medidas adotadas pelo governo para reduzir os impactos da alta internacional do petróleo sobre consumidores e empresas.
Entre elas está a concessão de subsídios temporários aos produtores e importadores de combustíveis. O mecanismo funciona como um reembolso parcial dos custos adicionais enfrentados pelo setor, reduzindo a necessidade de repasse imediato ao consumidor final.
Atualmente, a gasolina recebe uma subvenção de R$ 0,44 por litro, enquanto o diesel conta com auxílio de R$ 1,12 por litro.
Segundo o governo, os incentivos são temporários e poderão ser revistos conforme a evolução do cenário internacional e dos preços globais de energia.
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As medidas adotadas pela ANP e pelo governo ocorrem em um momento de forte atenção sobre os preços dos combustíveis, que influenciam diretamente a inflação, os custos do transporte e o orçamento das famílias brasileiras. O avanço das fiscalizações indica que o monitoramento do setor deverá continuar nos próximos meses, especialmente enquanto persistirem as incertezas relacionadas ao mercado internacional de petróleo.