André Mendonça diz que juiz “não é estrela” ao falar sobre caso Master

Da redação de LexLegal
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira (20) que juiz “não é estrela” e que a função exige assumir responsabilidade diante de casos difíceis. A declaração foi dada durante palestra na seccional da OAB no Rio de Janeiro, em meio à sua atuação como relator das investigações sobre o Banco Master.
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A fala ocorre em um momento em que Mendonça passou a ocupar papel central em uma das apurações mais delicadas em curso no Supremo. No mês passado, ele assumiu a relatoria do inquérito que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro e as fraudes ligadas ao Banco Master, depois que Dias Toffoli deixou o caso.
Sem citar diretamente o mérito da investigação, Mendonça adotou um tom de defesa institucional da magistratura. Disse que não se vê como figura salvadora nem como alguém dotado de missão pessoal extraordinária. Segundo o ministro, sua obrigação é decidir com responsabilidade e sem transformar o cargo em palco.
“O papel do bom juiz não é ser estrela. É simplesmente assumir a responsabilidade e julgar. Como eu sou cristão, pedindo a Deus que eu julgue de forma certa”, afirmou.
A fala também funcionou como recado sobre estilo de atuação no Judiciário. Em um ambiente cada vez mais marcado por exposição pública de magistrados, embates políticos e forte pressão da opinião pública, Mendonça defendeu uma postura menos performática e mais centrada na decisão em si.
Na mesma linha, o ministro disse que coragem judicial não tem relação com agressividade verbal ou exibicionismo. Para ele, a firmeza de um juiz se mede pela capacidade de decidir sob pressão sem perder equilíbrio.
“Coragem é a capacidade de, no meio da adversidade, ter paz e tranquilidade para tomar as decisões. Coragem não é falar alto, não é ser arrogante, não precisa subir o tom da voz”, completou.
O pano de fundo da declaração é o avanço do caso Master dentro do Supremo. Mendonça herdou a relatoria após Toffoli pedir para sair do processo. O motivo foi o reconhecimento de vínculo com um dos elementos que apareceram na apuração: o ministro admitiu ser sócio do resort Tayayá, adquirido pelo fundo Arleen, ligado ao Master e investigado pela Polícia Federal.
Esse detalhe ajudou a aumentar o peso político e institucional da troca de relatoria. O caso envolve suspeitas de fraudes financeiras e já atingiu não só o empresário Daniel Vorcaro, mas também a rede de ativos e relações empresariais que cercam o banco. Ao assumir o processo, Mendonça passou a ser observado de perto tanto pelo mercado quanto pela classe política e pelo próprio meio jurídico.
A fala na OAB, nesse contexto, soa menos como comentário abstrato sobre a função judicial e mais como uma sinalização de método. Ao rejeitar a ideia de juiz celebridade, o ministro parece tentar marcar distância de personalismos e reforçar a imagem de um relator que pretende conduzir o caso com discrição e formalidade.
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A nova posição de Mendonça no inquérito do Banco Master coloca o ministro no centro de uma investigação de grande repercussão. Ao falar em responsabilidade, serenidade e rejeição ao estrelismo, ele também delimita publicamente a forma como quer ser visto na condução de um caso que mistura finanças, suspeitas criminais e pressão institucional.