Anac abre consulta para criar licença de piloto para “carro voador”

Anac abre consulta para criar licença de piloto para “carro voador”
Anac discute criação de licença específica para pilotos de eVTOL, os chamados carros voadores, no Brasil/Paola Ayala/Eve Air Mobility
Publicado em 13/02/2026 às 12:01

Da redação de LexLegal

A Agência Nacional de Aviação Civil, Agência Nacional de Aviação Civil, abriu consulta pública para discutir a criação de uma categoria específica de licença para pilotos de eVTOL, os chamados carros voadores. A proposta altera o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 61, que trata das licenças e habilitações na aviação.

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Os eVTOL são aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, sigla para electric vertical takeoff and landing. O modelo é apontado como peça central da chamada mobilidade aérea avançada, com promessa de voos urbanos mais curtos e menor emissão de carbono.

A consulta pública recebe contribuições até 16 de março, pelo Portal Brasil Participativo. A Anac espera ouvir pilotos, centros de treinamento, fabricantes, operadores e especialistas do setor.

A proposta prevê treinamento específico para habilitação, com período de transição voltado a pilotos já licenciados de avião e helicóptero. A agência argumenta que a fase inicial permitiria acumular experiência operacional antes da definição de requisitos definitivos para novos profissionais.

Segundo a Anac, a habilitação incluiria experiência supervisionada em operações típicas e exame prático de verificação de perícia. A meta é criar um modelo gradual, considerado mais seguro para incorporar as novas aeronaves ao sistema brasileiro.

Procurada, a Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil afirmou ver a novidade como abertura de mercado. “O que é bom para os nossos associados. Teremos uma adaptação teórica e prática, nos termos da regulamentação que a Anac fará”, disse o diretor da entidade, Carlos Perin.

Ele avalia, porém, que o futuro pode ser sem pilotos a bordo. “A barreira cultural em aceitar transporte em aeronave não tripulada será gradualmente removida com a presença de um piloto nas versões iniciais do eVTOL”, afirmou. “Após a aceitação cultural pelo mercado consumidor, aquele posto de trabalho será desativado, e a versão final do projeto será efetivada, com apenas passageiros a bordo da aeronave remotamente controlada”, concluiu.

Em 2024, a Anac já havia publicado critérios de aeronavegabilidade para os eVTOL, com exigências sobre estrutura, sistemas de controle, propulsão e baterias. As regras são pré-condição para certificação e operação comercial.

No setor privado, a Embraer avança no desenvolvimento por meio da subsidiária Eve Air Mobility. A empresa realizou o primeiro voo de protótipo no fim de 2025 e anunciou contrato para vender duas aeronaves à japonesa AirX, com previsão de entrega em 2029 e opção de ampliação para até 50 unidades.

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O projeto conta com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da Financiadora de Estudos e Projetos, reforçando o interesse público na consolidação da nova tecnologia.

SÃO PAULO WEATHER