Ana Moises:”O LinkedIn recompensa autenticidade: quem compartilha experiências e até tropeços se destaca”

Luciano Teixeira – São Paulo
O LinkedIn tem se consolidado como uma das principais plataformas de posicionamento profissional no Brasil e no mundo. Longe de ser apenas uma vitrine de currículos, a rede social se transformou em um espaço ativo de trocas, onde profissionais, empresas e lideranças compartilham reflexões, tendências e práticas do mercado. Mesmo em setores mais técnicos ou regulados — como o jurídico — o uso estratégico da plataforma se tornou um diferencial de visibilidade e influência.
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Para entender como navegar por esse ambiente digital de maneira autêntica e eficaz, conversamos com Ana Moisés, Diretora de Soluções de Marketing do LinkedIn, uma das maiores especialistas em mídia digital e comunicação estratégica do Brasil. Com mais de 26 anos de experiência no mercado latino-americano de internet e publicidade online, ela comandou equipes de vendas em grandes empresas e presidiu o IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) entre 2018 e 2019, tendo papel central nos debates sobre regulação de dados e na articulação do setor privado com o governo em torno da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
Hoje, ela acumula um segundo mandato como presidente do IAB Brasil, iniciado em 2024, e também atua como conselheira no Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Com uma trajetória marcada pela educação do mercado e pelo incentivo ao uso ético da tecnologia, ela defende o uso do LinkedIn como uma ferramenta de posicionamento de ideias — e não apenas como repositório de conquistas profissionais.
Na entrevista, ela compartilha insights sobre como usar o LinkedIn para construir autoridade sem soar autopromocional, fala sobre os formatos e funcionalidades da rede que ainda são pouco explorados pelas empresas brasileiras e comenta o papel crescente da inteligência artificial no consumo e produção de conteúdo dentro da plataforma.
Luciano Teixeira: Qual é a importância de manter uma presença ativa no LinkedIn hoje, especialmente para profissionais e organizações que atuam em setores mais técnicos ou regulados?
Ana Moisés: Hoje, o LinkedIn se tornou o palco onde profissionais mostram não apenas o que fazem, mas como pensam e contribuem para o seu setor e para a sua rede. Mesmo em áreas mais técnicas ou reguladas, a plataforma é um espaço essencial para construir reputação, fortalecer vínculos com outros profissionais e compartilhar visões de futuro de forma estratégica e autêntica.
Muitos ainda veem o perfil como um cartão de visitas digital – e param por aí. Mas o LinkedIn é, na verdade, um ambiente vivo de trocas. Não basta estar presente, é preciso participar da conversa. O que mais vejo dar certo são conteúdos que trazem contexto, opinião e um toque pessoal. Explicar com clareza um tema denso, dividir aprendizados de um projeto complexo, comentar um movimento do setor sob uma ótica única – tudo isso posiciona e aproxima.
Já os perfis que seguem aquele modelo engessado, sem voz própria, acabam passando despercebidos. A boa notícia é que qualquer pessoa pode virar esse jogo, basta encontrar sua voz e usá-la com consistência e intenção.
Luciano Teixeira: Como um profissional pode usar o LinkedIn para se posicionar como referência em sua área sem parecer autopromocional?
Ana Moisés: Tem uma diferença sutil – mas poderosa – entre se promover e se posicionar com autenticidade. Enquanto a primeira tenta chamar atenção, a segunda convida à troca e ao diálogo. O LinkedIn recompensa autenticidade: quem compartilha aprendizados, experiências, dúvidas e até tropeços de forma genuína tende a se destacar naturalmente.
Como mencionei, mostrar os bastidores de uma conquista, dividir um ponto de vista sobre mudanças no setor ou simplesmente contar uma boa história do dia a dia profissional são formas leves e eficazes de criar autoridade e gerar conexões valiosas. Quando falamos com verdade, o conteúdo deixa de ser sobre o “eu” e passa a ser sobre o que entregamos para nossa rede.
Luciano Teixeira: Há boas práticas em termos de algoritmo, formato e frequência que ajudam a ampliar a visibilidade de maneira orgânica? Quais funcionalidades da plataforma você acredita que ainda são pouco exploradas por empresas e lideranças no Brasil?
Ana Moisés: Quando pensamos em visibilidade no LinkedIn, o principal guia que devemos utilizar é: visibilidade boa é aquela que vem acompanhada de intenção. Não adianta aparecer muito se não há consistência no que você entrega. A plataforma valoriza autenticidade, constância e participação – não apenas volume.
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Publicar com uma frequência que respeite seu tempo e seu tom de voz é o melhor caminho. Além disso, participar das conversas da rede, interagir nos comentários e reconhecer os conteúdos de outras pessoas são atitudes que fortalecem sua presença.
No que diz respeito a formatos, carrosséis e vídeos curtos funcionam muito bem – principalmente quando ajudam a traduzir temas complexos ou provocar reflexão. As newsletters e os eventos ao vivo são dois recursos que ainda têm muito espaço para crescer, e que funcionam muito bem para marcas e lideranças que querem aprofundar temas e construir comunidade.
Vale dizer também que, nessa construção de presença, é importante entender que o LinkedIn é muito mais do que uma plataforma de empregos. Cada vez mais, as pessoas acessam a rede para se informar, acompanhar tendências, consumir análises de especialistas e acompanhar o que pensam as lideranças que admiram. Esse comportamento abre espaço para marcas e profissionais se posicionarem como fonte confiável de conteúdo, ampliando sua relevância de forma orgânica.
Luciano Teixeira: O LinkedIn tem observado o crescimento de quais tipos de conteúdo na América Latina? Há algum destaque específico para temas institucionais ou de impacto social? Como o comportamento do público brasileiro no LinkedIn se diferencia de outros países da região?
Ana Moisés: Na América Latina, temos observado um aumento significativo no interesse por conteúdos que abordam temas como bem-estar no trabalho, saúde mental, transformação digital, impacto social, diversidade e cultura organizacional. As pessoas querem escutar histórias reais, saber como aquela mudança impacta a vida das pessoas e o ambiente ao redor.
E o Brasil tem uma energia muito particular nessa conversa. O jeito brasileiro de se comunicar – mais caloroso e mais pessoal – gera uma conexão espontânea. Aqui, um post que transmite emoções e sentimentos genuínos costuma engajar muito mais do que uma publicação impecável, mas fria. Essa característica nos diferencia dos demais países – e é uma fortaleza nossa.
Quando combinamos profundidade com vulnerabilidade e propósito, o conteúdo ganha não só alcance, mas também significado. E é isso que realmente constrói comunidade dentro do LinkedIn.
Luciano Teixeira: De que forma a inteligência artificial incorporada à plataforma deve mudar a maneira como os profissionais se relacionam, consomem e publicam conteúdo?
Ana Moisés: A inteligência artificial tem trazido avanços importantes para tornar a experiência no LinkedIn mais personalizada e eficiente. Ferramentas de IA generativa, por exemplo, já ajudam a organizar ideias, estruturar postagens e até dar um estímulo criativo para quem ainda não sabe por onde começar. Isso democratiza a produção de conteúdo, reduz barreiras e encoraja mais gente a participar das conversas.
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Mas é importante lembrar que a tecnologia é uma facilitadora, não uma substituta. O que gera conexão de verdade continua sendo o toque humano – a vivência, o olhar único, a escuta. A IA pode ser uma grande aliada para ganhar tempo e clareza, mas quem faz a diferença mesmo é quem usa tudo isso com intenção e identidade. É essa combinação que vai definir os profissionais mais relevantes daqui pra frente.