América Latina quer bater de frente com China e EUA no mercado de minerais críticos

América Latina quer bater de frente com China e EUA no mercado de minerais críticos
Publicado em 20/04/2026 às 8:00

Da redação de LexLegal

Lideranças latino-americanas defendem que a região abandone o papel de exportadora de matérias-primas para assumir o protagonismo na indústria da transição energética. O controle sobre lítio, cobre e terras raras está no epicentro da guerra comercial entre China e Estados Unidos.

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Especialistas reunidos no Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania, no Rio de Janeiro, argumentam que o desenvolvimento de uma cadeia produtiva local, como a fabricação de baterias, é a chave para garantir poder de barganha global e reduzir a dependência tecnológica.

Industrialização regional contra a dependência

A América Latina detém 45% das reservas mundiais de lítio e 30% de cobre, insumos vitais para carros elétricos e painéis solares. O ex-ministro de Minas e Energia da Colômbia, Andrés Camacho, alerta para a necessidade de refino interno. 

“Precisamos avançar em direção à produção, não apenas para exportar lítio, mas também para aprimorá-lo, e não apenas como mineral, mas como baterias”, destacou. A deputada argentina do Parlasul, Cecilia Nicolini, reforça que a exportação de recursos deve vir acompanhada de participação na cadeia de valor para assegurar soberania nas negociações internacionais.

A estratégia ganha contornos de urgência diante da política externa de Donald Trump, que busca conter o avanço chinês no hemisfério. Enquanto Washington tenta garantir suprimentos e afastar rivais, a China domina até 90% do refino global de terras raras.

Para a diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, a crise geopolítica abre espaço para a internalização de bens essenciais. “Essa internalização de bens e insumos essenciais talvez não possa ser feita de forma nacional, mas faz sentido de forma regional”, explicou, citando a integração do gás boliviano e argentino para a produção de fertilizantes.

Segurança nacional e transferência de tecnologia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tema ao status de segurança nacional, afirmando que o Brasil não aceitará ser mero exportador. “Nós não podemos agora permitir que a riqueza que a natureza nos deu não permita que a gente fique rico”, declarou o presidente, enfatizando que o beneficiamento dos minerais deve ocorrer em solo brasileiro.

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Lula destacou que o país está disposto a firmar parcerias, desde que haja transferência de tecnologia para evitar a repetição de ciclos econômicos passados, como o do ouro e da madeira, que não geraram riqueza duradoura para a região.

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