Alckmin propõe diálogo com EUA sobre big techs, data centers e minerais estratégicos em meio ao tarifaço

Alckmin propõe diálogo com EUA sobre big techs, data centers e minerais estratégicos em meio ao tarifaço
Vice-presidente defende construção de agenda com os EUA para enfrentar barreiras não tarifárias e minimizar impacto das novas tarifas de importação/Cadu Pinotti/Agência Brasil
Publicado em 08/08/2025 às 9:30

Da redação de LexLegal

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil está aberto a dialogar com os Estados Unidos sobre questões regulatórias sensíveis como a atuação de big techs, o papel de data centers e a exploração de minerais estratégicos. Os três temas têm sido levantados por autoridades norte-americanas em meio às negociações para tentar atenuar os efeitos do tarifaço de 50%imposto pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros.

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Durante encontro com o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, Alckmin disse ter apresentado os argumentos brasileiros contra a medida, destacando que a tarifa média aplicada aos principais produtos exportados para os EUA é de apenas 2,7%, com oito em cada dez já isentos de alíquota.

“Se tem problema não tarifário, vamos sentar, conversar e resolver. Se tem uma pauta – data centers, big techs, minerais estratégicos – então construir uma pauta de conversa, de entendimento para superar esse problema. Nós não criamos, mas vamos trabalhar para resolver”, afirmou Alckmin.

O vice-presidente indicou disposição para avançar no diálogo sobre regras nacionais que impactam diretamente empresas de tecnologia e o setor de mineração, reconhecendo que as barreiras não tarifárias podem estar no centro da disputa. Trump criticou a legislação brasileira aplicada às big techs, enquanto o governo norte-americano também demonstrou interesse em acesso privilegiado a minerais críticos brasileiros, usados em alta tecnologia, chips e condutores.

Plano de contingência em elaboração

Paralelamente às articulações diplomáticas, o governo federal trabalha na elaboração de um plano de contingência para mitigar os impactos econômicos das novas tarifas. De acordo com Alckmin, o plano já foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve ser anunciado nos próximos dias. “Se não for amanhã, provavelmente na segunda ou terça-feira”, disse.

O objetivo é proteger as empresas mais expostas ao mercado norte-americano, com medidas diferenciadas conforme o grau de dependência das exportações para os Estados Unidos. “Você vai por uma régua aí”, explicou Alckmin, referindo-se ao critério de proporcionalidade do impacto em cada setor.

“Há setores em que mais de 90% [da produção] vai para o mercado interno, com exportações de 5%, no máximo 10%. E tem setores em que metade do que se produz é para exportar. E tem setores que exportam mais da metade para os Estados Unidos. Então, foram muito expostos, estão muito expostos”, detalhou o vice-presidente.

Citando o setor de pescados, Alckmin destacou que o plano deverá distinguir, por exemplo, entre produtos como tilápia, voltada majoritariamente para o mercado interno, e atum, cuja produção é direcionada quase integralmente para exportação.

Setor calçadista também será contemplado

O vice-presidente também se reuniu com representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Segundo ele, o setor será diretamente impactado pelas novas tarifas, especialmente no que diz respeito ao couro, cuja exportação responde por mais de 40% da produção nacional.

“Recebi agora o setor de calçados, a Abicalçados. É um setor também afetado, que usa muita mão de obra. Mas, mais afetado que o calçado, é o couro”, afirmou.

Diplomacia e articulações no Congresso

A visita de Gabriel Escobar ao vice-presidente ocorreu fora da agenda oficial e fez parte de uma série de encontros com autoridades brasileiras. Antes, o diplomata se reuniu com o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e também visitou a Câmara dos Deputados, num momento em que parlamentares discutem os impactos das medidas de Trump sobre o comércio bilateral.

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O gesto do governo brasileiro de sinalizar abertura para negociar temas regulatórios ocorre num contexto de pressão crescente sobre exportadores nacionais e tentativa de conter o avanço de medidas protecionistas no cenário internacional. A expectativa é de que o plano de contingência funcione como uma resposta imediata, enquanto o país busca construir soluções diplomáticas e estruturais de longo prazo.

SÃO PAULO WEATHER