Adoção desigual de IA pode aprofundar disparidades no setor jurídico, aponta Thomson Reuters

Da redação de LexLegal
Uma nova pesquisa global da Thomson Reuters, divulgada nesta quinta-feira (26), mostra que organizações com uma estratégia de inteligência artificial (IA) bem definida têm o dobro de chances de experimentar crescimento de receita relacionado à tecnologia. Por outro lado, empresas sem qualquer planejamento estratégico para IA podem estar abrindo mão de ganhos relevantes em produtividade, eficiência e competitividade. O estudo, intitulado Future of Professionals 2025, reuniu dados de 2.275 profissionais de todo o mundo e revela um cenário de desequilíbrio entre empresas que avançam na digitalização e aquelas que ainda não incorporaram a IA de forma estruturada.
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Apesar do entusiasmo com os avanços tecnológicos, apenas 22% dos entrevistados disseram trabalhar em organizações com uma estratégia de IA “visível e definida”. Segundo a Thomson Reuters, esse pequeno grupo de empresas está 3,5 vezes mais propenso a capturar benefícios críticos da IA e a medir retornos concretos sobre seus investimentos.
“Hoje, o trabalho profissional está sendo moldado pela IA, e aqueles que não se adaptarem correm o risco de ficar para trás”, afirmou Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters. “Nossa pesquisa mostra que organizações com estratégias de IA estão obtendo retornos significativos sobre o investimento, enquanto aquelas sem estratégia estão lutando para acompanhar.”
Segundo Hasker, o potencial de transformação econômica é relevante. “A oportunidade de um valor de US$ 32 bilhões nos EUA é um alerta para que as organizações priorizem a adoção e o investimento estratégico da IA. Ao desenvolver uma estratégia para impulsionar tanto a adoção da IA quanto a redistribuição dos ganhos de produtividade que esperamos desbloquear, as organizações alcançarão inovação sustentada, maior excelência operacional e crescimento de receita — ao mesmo tempo em que capacitam os profissionais não apenas a serem mais produtivos, mas a permanecerem relevantes.”
Ganhos concretos de produtividade
Um dos destaques do relatório diz respeito à economia de tempo esperada com a utilização de IA nos ambientes profissionais. A expectativa média global é de que a tecnologia permita reduzir em cinco horas a carga de trabalho semanal por pessoa, contra quatro horas previstas no relatório anterior. Essa redução equivale a um ganho anual de US$ 19 mil por profissional, o que, nos Estados Unidos, representa uma economia de US$ 20 bilhões no setor jurídico e US$ 12 bilhões no contábil — somando os US$ 32 bilhões mencionados.
Na prática, o impacto pode ser ainda maior se a adoção for acompanhada de uma reorganização das equipes e funções. No entanto, esse não é o cenário predominante.
Apenas 38% dos profissionais esperam ver mudanças significativas em suas organizações ainda neste ano, apesar de 80% acreditarem que a IA terá um impacto “alto ou transformacional” em sua profissão nos próximos cinco anos.
Mais da metade (53%) relatou que suas organizações já experimentam retorno sobre o investimento em IA, principalmente pela melhoria da eficiência e produtividade. Os demais ainda enfrentam barreiras estruturais ou culturais para avançar.
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Fases distintas de adoção
O relatório também detalha os diferentes níveis de maturidade entre as organizações. Três em cada dez entrevistados afirmaram que sua empresa está avançando de forma “muito lenta” na adoção de IA. Quatro em cada dez adotam a tecnologia sem um plano formal. Para a Thomson Reuters, esse descompasso compromete a consistência, dificulta a medição de resultados e impede que os profissionais se adaptem de forma estruturada.
Há ainda uma preocupação com as lacunas de qualificação: 46% dos profissionais relataram que suas equipes enfrentam deficiências técnicas, principalmente em competências relacionadas a dados e tecnologia. Isso se torna um entrave importante para a implementação da IA com segurança e eficácia.
Em meio à necessidade de especialização, 88% dos entrevistados preferem utilizar assistentes de IA específicos para suas profissões — sinal de que soluções genéricas não atendem às exigências de áreas como Direito, Contabilidade, Auditoria, Comércio Internacional e Compliance.
Além disso, 55% dos profissionais relataram que suas funções mudaram de forma significativa no último ano ou devem mudar em breve. O dado revela uma reconfiguração acelerada das atividades, com maior peso para tarefas analíticas, estratégicas e relacionadas ao uso de dados, em detrimento de rotinas repetitivas.
Lacuna entre tecnologia e negócios
Um dos principais alertas do estudo é o descompasso entre o ritmo de avanço tecnológico e a capacidade das organizações de absorver e integrar essas mudanças. De acordo com a Thomson Reuters, essa distância entre expectativa e execução pode ampliar ainda mais as desigualdades de desempenho entre empresas que lideram o processo e aquelas que resistem a transformações.
“Sem um plano coerente que alinhe as iniciativas de IA com as prioridades organizacionais, essas empresas correm o risco de ficar para trás na obtenção de retornos significativos e crescimento competitivo”, destaca o relatório.
A ausência de uma estratégia definida afeta inclusive a governança. A implementação de IA sem critérios claros pode gerar riscos jurídicos, operacionais e reputacionais. Nesse ponto, a pesquisa reforça a importância de estruturas éticas, como os Princípios de Ética de Dados e IA atualizados da própria Thomson Reuters, que orientam o desenvolvimento responsável da tecnologia.
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A pesquisa mostra que a inteligência artificial está transformando o trabalho profissional de forma concreta, mas desigual. Enquanto algumas organizações já extraem ganhos de produtividade e crescimento de receita, outras sequer deram os primeiros passos estruturados. A ausência de uma estratégia de adoção pode deixar essas empresas vulneráveis à obsolescência funcional e à perda de competitividade.