A escalada da guerra comercial entre EUA, China, Canadá, México e seus impactos

José Renato Ferraz da Silveira*

“Não há vencedores num mundo com uma guerra comercial”. Parece um lugar comum, mas é incontestável o que disse o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.
A retaliação comercial do Canadá, da China e do México em relação às novas taxas de importação dos Estados Unidos ganhou novos desdobramentos. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que as tarifas de importação de 25% sobre Canadá e México passaram a valer a partir de terça feira (04).
E para a China, houve uma taxa adicional de 10%. Pequim não apenas retaliou as exportações agrícolas dos Estados Unidos, como também anunciou novas restrições de exportações e investimento a 25 empresas dos Estados Unidos, considerando como “motivos de segurança nacional”.
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De acordo também com o governo chinês, produtos como frango, trigo, milho e algodão dos Estados Unidos terão uma taxa adicional de 15%, enquanto soja, carne suína, carne bovina, produtos aquáticos, frutas, vegetais e laticínios sofrerão uma tarifa extra de 10%. Tais medidas passarão a valer em 10 de março.
Especialistas consideram que as novas taxas impostas pela China afetem cerca de US$ 21 bilhões em exportações de produtos agrícolas e alimentícios norte-americanos. As duas maiores economias do mundo entrarão numa fase mais aguda de guerra comercial. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim afirmou em uma entrevista coletiva: “tentar exercer pressão extrema sobre a China é um erro de cálculo e um engano (…) a China nunca sucumbiu à intimidação ou à coerção”.
Henry Kissinger (um dos mais importantes estadistas do século XX) previu que a competição crucial entre Estados Unidos e China girará em torno das questões econômicas e sociais do que militares. E para ele, os Estados Unidos têm a responsabilidade de conservar sua competitividade e seu papel mundial.
Para Kissinger, o poder dos Estados Unidos deve ser exercido mediante suas próprias convicções tradicionais, não por meio de uma disputa com a China. A grande ironia nisso tudo é que o realista e influente Henry Kissinger propunha que Estados Unidos e China pudessem juntar forças não para sacudir o mundo, mas para construi-lo.
Trump parece inclinado a não seguir esses passos de prudência e moderação (sugeridos por Kissinger) em relação à China. E isso, de fato, será uma estrada sombria e incerta para os dois lados e para o mundo.
*José Renato Ferraz da Silveira é professor Associado IV do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM. Doutor e Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP. Graduação em Relações Internacionais pela PUC-SP. Graduação em História pela ULBRA. Líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). Editor-chefe da Revista InterAção (Qualis A-2).
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