A COP sempre precede grandes negócios

Brunno Vasconcelos*
A COP30 é um momento essencial para os países participantes revisarem e ambicionarem novas metas de energia limpa. Além do mais, é um ambiente propício para a atração de investimentos públicos e privados para renováveis e também para a discussão de medidas capazes de acelerar a adoção de tecnologias limpas.
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Sob uma perspectiva política e regulatória em âmbito mundial, o evento pode, por exemplo, fomentar a criação de planos que potencializem a redução de barreiras para a utilização de renováveis, estimular o financiamento de tais fontes energéticas e aperfeiçoar o alinhamento internacional de mercados de carbono.
Do ponto de vista de geração de negócios e aquecimento da economia em âmbito nacional, as perspectivas para o Brasil são as melhores possíveis, se forem levados em consideração os impactos extremamente positivos que as COPS anteriores trouxeram aos países-sede.
Observe-se, por exemplo, os benefícios concretos advindos da COP26, realizada em Glasgow, em 2021.
Em sequência ao evento, grandes empresas de desenvolvimento de energia reforçaram seus planos de expansão no Reino Unido depois da COP26 e o governo publicou relatórios e roteiros que facilitaram licenciamentos e leilões. Isso traduziu-se em dezenas de gigawatts em desenvolvimento e bilhões em CAPEX anunciados para parques eólicos, sobretudo offshore.
Além disso, a Ørsted, multinacional dinamarquesa, declarou nos seus relatórios alocação de bilhões em projetos eólicos no Reino Unido (Hornsea e outros), com investimentos já entregues e planejados que ampliaram a capacidade instalada e geraram milhares de empregos locais.
Na COP28, ocorrida em 2023 e sediada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos – região amplamente conhecida pela exploração de petróleo e com menor tradição em investimento renováveis –, os benefícios foram igualmente pujantes e até surpreendentes, a despeito de toda a controvérsia que ainda existe acerca da acentuada produção de combustíveis fósseis na referida nação.
A título ilustrativo, a Masdar, uma gigante estatal de energias renováveis dos Emirados Árabes, posteriormente ao evento, fez importantes movimentos na Europa. Dentre eles, a aquisição de quatro usinas solares junto à Endesa S.A, em um investimento de aproximadamente 184 milhões de euros.
Inclusive, não será surpresa se a própria Masdar vier a investir no Brasil após a COP30, especialmente porque já houve uma aproximação, no ano passado, entre a Petrobras e a gigante do Golfo, até mesmo com a presença do CEO da companhia e do Diretor de Eólicas Offshore.
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Em outras palavras, se o Brasil seguir a linha de investimentos realizados nas COPs anteriores, é certo que os desdobramentos, aqui no país, podem ser absolutamente promissores.
*Brunno Vasconcelos, sócio do Serur, especialista em Contencioso Estratégico, especialmente no setor de energia.