Anac avança em regras de ruído para “carro voador” da Embraer

Da Redação de LexLegal
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu consulta pública sobre os critérios de ruído do Eve 100, aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical desenvolvida pela Eve, empresa ligada à Embraer. As contribuições podem ser enviadas até 8 de agosto.
A proposta define como o ruído deverá ser medido durante decolagem, voo e aproximação. A publicação representa mais uma etapa da certificação ambiental, necessária antes da entrada do modelo no mercado. Ela ainda não autoriza o transporte de passageiros.
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Testes terão voos a 150 metros de altura
Nos testes de sobrevoo, o Eve 100 deverá passar a cerca de 150 metros do solo. Microfones serão instalados abaixo da rota e em pontos laterais, também a 150 metros do eixo central, para medir o impacto sonoro em diferentes posições.
A Anac exige pelo menos seis voos válidos para cada situação analisada. Os testes deverão incluir decolagem, sobrevoo e aproximação, com controle de velocidade, potência, peso da aeronave e condições meteorológicas.
O resultado será calculado em EPNdB, unidade que mede o nível de ruído percebido e considera fatores como duração, frequência e presença de tons. Por isso, os valores não podem ser comparados diretamente aos decibéis usados em exemplos cotidianos, como conversa ou sussurro.
A proposta estabelece limites mínimos de referência de 89 EPNdB na decolagem, 88 EPNdB no sobrevoo e 90 EPNdB na aproximação. Os valores variam conforme o peso certificado da aeronave. A minuta da Anac detalha os testes e limites de ruído do Eve 100.
Consulta pública antecede decisão final
“A publicação da ANAC da proposta dos critérios de ruído é um marco importante no desenvolvimento e na certificação do Eve 100”, disse Johann Bordais, CEO da Eve.
A consulta permite que empresas, pesquisadores, especialistas e cidadãos apresentem sugestões. Encerrado o prazo, a Anac analisará as contribuições antes de concluir os requisitos que deverão ser cumpridos pela fabricante.
A proposta adapta regras já usadas na aviação às características dos eVTOLs, sigla em inglês para aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical. Esses veículos utilizam motores elétricos e são projetados para trajetos urbanos e regionais.
A certificação de ruído é diferente da certificação de segurança da aeronave. A primeira avalia o impacto sonoro e ambiental. A segunda examina estrutura, sistemas, motores, controles e condições de voo. O Eve 100 precisará superar as duas etapas, além das autorizações operacionais, antes de transportar passageiros.
“O ruído aeronáutico é um componente crítico da certificação ambiental da aviação e um fator importante para a aceitação pública da mobilidade aérea urbana”, disse Isabel Lima, chefe de Ruído e Vibração da Eve.
Segundo a empresa, o modelo foi projetado para produzir menos ruído que helicópteros convencionais. A afirmação ainda terá de ser demonstrada nos testes de certificação, com procedimentos e equipamentos aprovados pela Anac.
Eve fecha acordo para até 30 aeronaves
No mesmo dia da divulgação dos critérios, a Eve anunciou uma carta de intenção com a empresa Moov para até 30 aeronaves. O projeto prevê avaliar o uso dos veículos no turismo, na ligação entre aeroportos, portos e hotéis e no transporte regional em Cabo Verde e na Europa.
A carta de intenção não equivale a uma compra definitiva. O documento registra o interesse das empresas e abre caminho para estudos e negociações, mas o pedido ainda depende de contratos futuros, da certificação da aeronave e da estrutura necessária para as operações.
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A definição das regras de ruído mostra que a regulamentação começa a acompanhar o avanço técnico e comercial dos eVTOLs. O desafio agora é comprovar que o Eve 100 atende aos limites ambientais e de segurança antes das primeiras viagens previstas para esta década.