Bolsa recua 1,2% e dólar sobe a R$ 5,13 com nova escalada da crise no Oriente Médio

Da Redação de LexLegal
Os mercados financeiros encerraram esta segunda-feira (13) em queda após o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. A Bolsa brasileira perdeu mais de 1%, o dólar voltou a subir frente ao real e o petróleo registrou forte valorização diante do receio de interrupções no fornecimento mundial da commodity.
O movimento refletiu a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros em momentos de incerteza internacional. A possibilidade de novos impactos sobre a oferta global de petróleo também elevou as preocupações com a inflação e com os rumos da política de juros nas principais economias.
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Mercado brasileiro acompanha cenário externo
O Ibovespa, principal índice da B3, chegou a operar próximo da estabilidade durante a manhã, mas perdeu força ao longo do pregão. O índice fechou aos 175.739 pontos, com queda de 1,2%, acompanhando o desempenho negativo das bolsas internacionais.
O avanço do petróleo sustentou a valorização das ações da Petrobras, que reduziram parte das perdas do mercado. Os papéis ordinários da companhia, que dão direito a voto nas assembleias, subiram 3,44%. As ações preferenciais, que possuem prioridade na distribuição de dividendos, avançaram 2,55%.
Mesmo assim, a queda de ações dos setores financeiro, de consumo e mineração prevaleceu, levando o índice ao campo negativo.
Dólar volta a ganhar força
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,131, alta de 0,46%. Durante a sessão, a moeda chegou à máxima de R$ 5,142, acompanhando o fortalecimento do dólar frente às moedas de países emergentes.
A valorização foi impulsionada pela maior procura por ativos considerados de menor risco após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito com o Irã. O mercado também reagiu às informações envolvendo o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica para o transporte mundial de petróleo.
No cenário doméstico, investidores também repercutiram o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. A pesquisa manteve a projeção do câmbio em R$ 5,20 no encerramento deste ano e preservou a expectativa de taxa Selic em 14% ao final de 2026.
Petróleo dispara com temor sobre oferta mundial
O petróleo foi o ativo que registrou a maior variação do dia. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou cotado a US$ 83,30, alta de 9,59%. Já o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, avançou 9,42%, encerrando a sessão a US$ 78,14 por barril.
O mercado reagiu ao aumento das preocupações com possíveis restrições no Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde circula aproximadamente um quinto do petróleo comercializado no mundo.
A valorização da commodity amplia o receio de pressões inflacionárias em diversos países, já que o petróleo influencia diretamente os custos de combustíveis, transporte e produção industrial.
Geopolítica amplia incertezas
As preocupações dos investidores cresceram após novos episódios envolvendo Estados Unidos e Irã. O governo norte-americano anunciou medidas mais duras contra Teerã, enquanto autoridades iranianas prometeram responder às ações.
Também foram registrados novos confrontos envolvendo forças no Iêmen, movimentações militares na Arábia Saudita e explosões na cidade portuária iraniana de Bandar Abbas, aumentando a percepção de risco sobre a estabilidade da região.
O Oriente Médio concentra parte relevante da produção mundial de petróleo, razão pela qual qualquer ameaça à logística de exportação costuma provocar reações imediatas nos mercados internacionais.
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Analistas avaliam que a continuidade das tensões geopolíticas deve manter os mercados mais voláteis nos próximos dias. Enquanto persistirem as incertezas sobre o fornecimento de petróleo e seus reflexos sobre a inflação global, investidores tendem a reduzir posições em ativos de maior risco, movimento que costuma afetar bolsas de valores, moedas de países emergentes e expectativas para as taxas de juros.