Mercado reduz previsão da inflação, mas índice segue acima da meta do BC

Mercado reduz previsão da inflação, mas índice segue acima da meta do BC
Relatório Focus aponta queda na projeção do IPCA para 2026, enquanto juros permanecem elevados/Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Publicado em 06/07/2026 às 13:00

Da Redação de LexLegal

O mercado financeiro reduziu ligeiramente a previsão para a inflação de 2026, mas a expectativa continua acima do limite perseguido pelo Banco Central (BC). Segundo o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (6), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, caiu de 5,33% para 5,30%.

Mesmo com a revisão, a projeção permanece acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%. Desde este ano, o Banco Central adota uma meta contínua de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Se a inflação permanecer fora desse intervalo durante seis meses seguidos, considera-se que a meta não foi cumprida.

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As estimativas mais recentes do mercado apontam uma desaceleração moderada da inflação. Entre os analistas que atualizaram suas projeções nos últimos cinco dias úteis, a expectativa para o IPCA de 2026 caiu para 5,23%.

Para 2027, a previsão praticamente ficou estável, passando de 4,17% para 4,18%. Já para 2028 e 2029, as estimativas foram mantidas em 3,70% e 3,50%, respectivamente.

Apesar da melhora nas projeções, o mercado continua mais pessimista que o próprio Banco Central. No Relatório de Política Monetária divulgado no fim de junho, a autoridade monetária estimou inflação de 5,2% em 2026, 3,7% em 2027 e 3,1% em 2028.

Mercado mantém expectativa de juros elevados

O relatório também mostra que os economistas continuam prevendo uma taxa básica de juros elevada no próximo ano. A mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 14% ao ano.

A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Quando a inflação permanece elevada, o Banco Central tende a manter juros mais altos para reduzir o consumo e conter a alta dos preços.

Para 2027, a expectativa segue em 12% ao ano. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 10,5% e 10%, respectivamente.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em junho, o Banco Central sinalizou que os próximos passos dependerão da evolução da inflação e do cenário econômico.

PIB e dólar apresentam estabilidade nas projeções

As estimativas para o crescimento da economia brasileira sofreram poucas alterações. O mercado manteve a projeção de alta de 1,99% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, resultado próximo ao crescimento de 2% previsto pelo Banco Central.

Para os anos seguintes, as previsões ficaram praticamente estáveis, em 1,69% para 2027 e 2% para 2028 e 2029.

No câmbio, a expectativa também mudou pouco. A projeção para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, 2028 e 2029, as estimativas seguem em R$ 5,28, R$ 5,35 e R$ 5,40, respectivamente.

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Os dados do Relatório Focus mostram que o mercado continua apostando em uma desaceleração gradual da inflação, mas ainda sem retorno ao centro da meta estabelecida pelo Banco Central. O cenário reforça a expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado durante boa parte do próximo ano, enquanto investidores acompanham a evolução dos preços, da atividade econômica e das decisões do Copom.

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