Organização Internacional do Trabalho aprova regras globais para proteger trabalhadores de aplicativos

Organização Internacional do Trabalho aprova regras globais para proteger trabalhadores de aplicativos
OIT aprova primeiro acordo internacional para garantir trabalho decente em plataformas digitais
Publicado em 13/06/2026 às 9:00

Da Redação de LexLegal

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou a primeira convenção internacional voltada exclusivamente à proteção de trabalhadores que atuam por meio de aplicativos e plataformas digitais. A decisão foi tomada durante a Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, na Suíça.

A nova Convenção sobre Trabalho Decente na Economia de Plataformas estabelece um conjunto de direitos mínimos para profissionais que prestam serviços por meio de aplicativos de transporte, entrega, trabalho remoto e outras plataformas digitais. O texto é considerado um marco para um setor que cresce rapidamente em diversos países, inclusive no Brasil.

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A aprovação ocorre em um momento de intensificação do debate sobre a relação entre plataformas digitais e trabalhadores. Nos últimos anos, governos, empresas, sindicatos e tribunais passaram a discutir temas como remuneração, proteção social, acidentes de trabalho e representação sindical dos profissionais que dependem desses aplicativos para gerar renda.

O que muda com a nova convenção

A norma aprovada pela OIT estabelece diretrizes que deverão ser seguidas pelos países que decidirem ratificar o acordo internacional. Embora cada governo tenha autonomia para adaptar as regras à sua legislação interna, a convenção cria uma referência global para o setor.

Entre os principais pontos estão a garantia da liberdade sindical, o direito à negociação coletiva, a promoção de ambientes de trabalho seguros e a adoção de medidas voltadas à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

O texto também prevê que os trabalhadores tenham acesso a mecanismos para contestar decisões que afetem suas atividades nas plataformas, tema que ganhou relevância diante do uso crescente de algoritmos para bloqueios, suspensões e avaliações de desempenho.

Remuneração e proteção social entram na pauta

Outro ponto relevante da convenção é a previsão de medidas para assegurar remuneração compatível com os padrões mínimos definidos por cada país.

A discussão ganhou força nos últimos anos diante de críticas relacionadas à instabilidade de renda enfrentada por parte dos trabalhadores de aplicativos. A nova norma também aborda questões ligadas a custos operacionais, como despesas necessárias para a execução dos serviços.

Além disso, o acordo prevê medidas para combater trabalho infantil, trabalho forçado e outras formas de exploração laboral que possam surgir dentro da economia digital.

Setor cresce, mas desafios permanecem

Segundo a OIT, a expansão das plataformas digitais ampliou oportunidades de geração de renda em diferentes regiões do mundo. Ao mesmo tempo, o modelo trouxe desafios regulatórios que ainda dividem governos e empresas.

Em diversos países, decisões judiciais recentes discutiram se motoristas e entregadores devem ser considerados empregados formais ou trabalhadores autônomos. O tema também vem sendo debatido no Brasil, onde propostas legislativas buscam criar um marco regulatório específico para o setor.

A organização afirma que a convenção busca equilibrar inovação tecnológica e proteção social, estabelecendo parâmetros mínimos para garantir condições dignas de trabalho.

Impacto pode chegar ao Brasil

Embora a aprovação da convenção represente um avanço internacional, as novas regras não entram automaticamente em vigor no Brasil. Para que tenham efeito jurídico interno, será necessário que o governo brasileiro ratifique o tratado e siga os procedimentos previstos na legislação nacional.

Especialistas avaliam que o documento poderá influenciar futuras discussões sobre regulamentação de aplicativos, relações de trabalho e direitos sociais no país.

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A decisão da OIT sinaliza uma mudança importante no debate global sobre trabalho digital. Pela primeira vez, uma convenção internacional reúne princípios específicos para um setor que movimenta milhões de trabalhadores em todo o mundo e que vem transformando a forma de prestação de serviços na economia contemporânea.

SÃO PAULO WEATHER