Ocupação de pessoas 60+ sobe 53% em 10 anos

Ocupação de pessoas 60+ sobe 53% em 10 anos
A pesquisa sugere que o envelhecimento da força de trabalho já deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma realidade presente na economia brasileira/Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
Publicado em 14/06/2026 às 17:00

Da Redação de LexLegal

O número de brasileiros com 60 anos ou mais que continuam trabalhando cresceu em ritmo superior ao do envelhecimento da população. É o que mostra um levantamento divulgado pela Nexus, empresa de pesquisa e inteligência de dados, com base em informações da Pnad Contínua, do IBGE.

Entre 2016 e 2025, a população idosa do país aumentou 37%, passando de 25,8 milhões para 35,2 milhões de pessoas. No mesmo período, o contingente de trabalhadores nessa faixa etária avançou 53%, saltando de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões.

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O resultado indica que mais brasileiros estão permanecendo ativos no mercado de trabalho mesmo após os 60 anos. Em 2025, uma em cada quatro pessoas com 60 anos ou mais estava ocupada. A taxa chegou a 25%, o maior percentual registrado nos últimos dez anos. Em 2016, esse índice era de 22%.

O crescimento ocorre em um cenário de envelhecimento acelerado da população brasileira. Atualmente, os idosos representam 17% dos habitantes do país. Há dez anos, eram 13%.

Mais idosos trabalham, mas sem proteção trabalhista

Apesar da expansão da participação dos idosos no mercado, o levantamento aponta um dado que preocupa: a informalidade.

Segundo a pesquisa, 53% dos trabalhadores com mais de 60 anos atuam sem carteira assinada ou em modalidades consideradas informais. O percentual supera o registrado na população em geral, que é de 38%, e também entre jovens de 18 a 24 anos, onde a taxa alcança 41%.

Pelos critérios do IBGE, entram nessa categoria trabalhadores sem registro formal e profissionais autônomos sem CNPJ, entre outros casos.

A informalidade significa ausência de direitos como férias remuneradas, décimo terceiro salário, FGTS e contribuição previdenciária regular.

Reforma da Previdência e renda explicam movimento

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avalia que o fenômeno revela duas realidades distintas.

“Por um lado, a gente pode celebrar o fato de que as pessoas quando chegam aos 60, 70 anos, ainda estão com uma capacidade ativa para o trabalho”, afirmou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

Segundo ele, parte desse movimento pode estar relacionada às mudanças promovidas pela Reforma da Previdência de 2019, que elevou requisitos para aposentadoria e ampliou o tempo de permanência dos trabalhadores no mercado.

A legislação passou a exigir idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além de regras mais rígidas de contribuição. Tokarski também chama atenção para o fato de muitos idosos continuarem trabalhando por necessidade financeira.

“A pessoa que tem 75 anos de idade que, em tese, já deveria estar gozando da sua aposentadoria e muitas vezes precisa continuar trabalhando provavelmente para complementar a sua renda”, disse.

Mercado absorve idosos em ocupações mais precárias

O estudo aponta que trabalhadores mais velhos costumam migrar com maior rapidez para atividades informais quando deixam empregos formais.

Enquanto jovens ainda conseguem prolongar a busca por uma vaga compatível com seus objetivos profissionais ou dedicar mais tempo aos estudos, muitos idosos dependem da renda imediata para complementar o orçamento familiar.

Segundo a pesquisa, esse comportamento ajuda a explicar por que a informalidade se tornou uma característica recorrente entre profissionais acima dos 60 anos.

O levantamento também destaca que o crescimento da população idosa economicamente ativa impõe novos desafios ao país, especialmente em temas ligados à inclusão geracional, adaptação dos ambientes de trabalho e políticas de formalização.

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Os dados reforçam uma mudança estrutural no mercado brasileiro. Com mais pessoas vivendo por mais tempo e permanecendo economicamente ativas, empresas e governos passam a enfrentar o desafio de criar condições para que essa permanência ocorra com proteção social, renda e condições adequadas de trabalho.

A pesquisa sugere que o envelhecimento da força de trabalho já deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma realidade presente na economia brasileira.

SÃO PAULO WEATHER