Governo investe R$ 61 milhões e lança campanha para população LGBTQIA+

Governo investe R$ 61 milhões e lança campanha para população LGBTQIA+
Ações de acolhimento e trabalho são divulgadas na Feira da Diversidade em São Paulo/conflgbtqia.org/Divulgação
Publicado em 05/06/2026 às 7:00

Da Redação de LexLegal

O governo federal escolheu a capital paulista para lançar a campanha nacional O Brasil é de Todas as Cores: Para Todas as Pessoas. A iniciativa, coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, foi apresentada durante a 25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, no Vale do Anhangabaú. O objetivo da gestão é divulgar as ações executadas e ampliar o alcance das políticas públicas voltadas a grupos em situação de vulnerabilidade social.

Balanço oficial da pasta aponta que R$ 61 milhões foram aplicados em políticas de promoção e defesa de direitos humanos para a comunidade desde 2023. Segundo o ministério, a verba financiou o atendimento de 330 mil pessoas pelo programa de fortalecimento de casas de acolhimento e permitiu a capacitação profissional de outras 5 mil por meio de frentes de geração de renda e autonomia econômica.

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Orçamento histórico e foco em territórios indígenas e de fronteira

“A gente está aqui no corpo a corpo mostrando para as pessoas o que nós conseguimos fazer mesmo com o apagão que tivemos [no governo anterior], com o desmonte que tivemos”, afirmou Symmy Larrat, secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+.

De acordo com Larrat, os repasses priorizaram a empregabilidade e o suporte habitacional. “Tem ações de bem-viver, porque queremos chegar nos territórios. A gente não quer falar só com [a população] LGBT+, que é a mais que vem numa migração forçada da sua cidade para os grandes centros urbanos. Então, fomos para o território de fronteira e para as aldeias indígenas e produziu muito diálogo, com acesso a direitos e redes protetivas”, disse a secretária.

A feira cultural no centro de São Paulo reúne 100 expositores e cerca de 180 atrações artísticas com foco no fomento de pequenos negócios liderados pela comunidade. “Temos aqui um espaço para falar sobre sexualidade. Além disso, somos o único evento do Brasil que é 100% inclusivo.

Damos espaço para LGBTs que são cadeirantes, por exemplo. Aqui tem espaço para eles. E eles estão aqui se apresentando, cantando ou frequentando o espaço”, afirmou Heitor Werneck, coordenador artístico da feira.

Redução de verba privada e preparativos para a Parada na Paulista

A organização do festival relata dificuldades financeiras decorrentes da retração de investimentos públicos e privados nas pautas de diversidade ao longo do último ano. “Estão diminuindo os números de políticas públicas para LGBT. Aí, fazemos um super evento e temos que ficar rastejando, tanto para a prefeitura quanto com os patrocinadores. É importante para as pessoas verem que mesmo sem patrocínio se faz a feira”, afirmou Werneck.

Ele ressaltou que a mobilização gera impacto econômico real no turismo local. “E isso, porque estamos com 98% da rede hoteleira de São Paulo [ocupada para a ParadaSP]. Só aqui na parada, a gente emprega diretamente 1,8 mil pessoas”, disse o coordenador.

O jovem Fabrício Florencio, 23 anos, que vive em São Paulo, visitou o evento e destacou o papel da feira para a comunidade. “Acho a feira muito importante. Não só por eventos como a Parada, mas também por tener um momento em que podemos encontrar semelhantes aos nossos e que estão aqui lutando pela mesma coisa, o direito de existir”, disse o jovem. A programação se estende até a noite com debates sobre saúde mental, cidadania e show da cantora MC Trans.

O festival antecede a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para o próximo domingo (7) na Avenida Paulista. O desfile deste ano celebra três décadas de existência com manifestações focadas em direitos políticos e participação eleitoral. Larrat vincula a criação da própria secretaria federal ao histórico de ocupação do espaço público.

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“A gente sabe que precisa estar organizada nas ruas. Foi esse processo organizado que trouxe uma conquista, que é a própria secretaria (nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+). Se hoje eu estou secretária, é fruto dessa luta, é fruto dessa jornada. E a gente não pode deixar de sair nas ruas mesmo quando o discurso de ódio internacional tem se intensificado contra nós. Então, continuamos firmes para seguir denunciando e a gente vai virar esse jogo”, concluiu a secretária. Com informações da Agência Brasil.

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