Exportações do Brasil para os EUA caem 14% em maio

Da Redação de LexLegal
As exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos registraram queda de 14% no mês de maio em comparação com o mesmo período de 2025. O balanço oficial divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) consolida uma sequência de retrações nos embarques para o mercado norte-americano, iniciada em agosto do ano passado, quando passaram a vigorar as primeiras barreiras tarifárias impostas pela administração de Donald Trump. O movimento reduziu a participação dos Estados Unidos no bolo das vendas externas brasileiras de 12% para 9,7%.
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Apesar do recuo nas estatísticas aduaneiras, o governo federal descarta uma ruptura definitiva no fluxo mercantil. “É cedo para falar de mudança estrutural. Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta, tem bens sob encomenda que sofrem choque maior, mas commodities e alimentos não, como é o caso de grande parte do perfil da pauta com Estados Unidos, com petróleo, celulose, combustível, carne, café. Tem um momento de aumento de custo, pode ser que cause retratação do fluxo, mas pode retomar rapidamente”, afirmou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic.
Retração nas vendas para o mercado americano desacelera após tombo recorde de 35%
A análise técnica indica que a curva de queda nos negócios bilaterais com Washington perdeu intensidade nos últimos meses. “Tivemos a maior queda em outubro, de 35%. Em janeiro houve redução de 26%, e essa redução vem se arrefecendo ao longo dos meses: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e 14% em maio”, declarou Brandão.
No balanço mensal de maio, as exportações somaram US$ 3,09 bilhões contra importações de US$ 3,21 bilhões, gerando um déficit de US$ 121 milhões para o Brasil. No acumulado de janeiro a maio, o resultado negativo da balança com os americanos atingiu US$ 1,47 bilhão.
A perda de espaço das empresas americanas coincide com o avanço da China como principal parceira comercial do país. Em maio, os embarques para o mercado asiático cresceram 9,5%, batendo US$ 10,5 bilhões, enquanto as compras de produtos chineses saltaram 24,2%, para US$ 6,8 bilhões, o que garantiu um superávit mensal de US$ 3,7 bilhões. Nos primeiros cinco meses de 2026, as exportações para a China totalizaram US$ 43,26 bilhões, impulsionando a participação de Pequim na pauta exportadora nacional para o patamar de 32,9%.
O comércio exterior brasileiro também foi impactado pela guerra no Oriente Médio, que elevou as cotações internacionais de energia. As exportações nacionais de óleos combustíveis da indústria de transformação registraram salto de 75,2% em volume e alta de 49,8% em faturamento.
Por outro lado, o envio de petróleo bruto caiu 42,1% em volume. O ministério negou impactos do imposto de exportação sobre o setor. “O Brasil é muito competitivo. A questão do imposto de exportação não vai impactar a oferta brasileira para o exterior, ainda mais em um cenário de preços elevados.
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As empresas continuam produzindo petróleo e os investimentos seguem ocorrendo”, afirmou Brandão. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a balança comercial geral do Brasil atingiu superávit de US$ 32,662 bilhões, superando o saldo do mesmo período do ano passado.