IA, saúde mental e provas digitais entram no centro da agenda jurídica

IA, saúde mental e provas digitais entram no centro da agenda jurídica
Paula Lima Hyppolito Oliveira Em encontro da AASP – Associação dos Advogados realizado em Salvador/Reprodução
Publicado em 03/06/2026 às 11:39

Da Redação de LexLegal

O avanço da Inteligência Artificial, as novas exigências relacionadas à saúde mental no trabalho, o crescimento das provas digitais e os desafios trazidos pelas transformações demográficas e tecnológicas estão entre os temas que mais mobilizam a advocacia brasileira atualmente. Diante desse cenário de mudanças aceleradas, especialistas de diferentes áreas do Direito se reuniram recentemente para debater tendências que já impactam a atuação profissional e exigem constante atualização dos operadores do Direito.

Nesse contexto, o 25º Simpósio Regional da AASP, realizado recentemente em Salvador, promoveu uma ampla discussão sobre algumas das principais pautas em evidência no cenário jurídico nacional. O encontro reuniu advogados, magistrados, professores e especialistas de diferentes regiões do país para debater os impactos das mudanças em curso sobre a atuação jurídica, compartilhar experiências e refletir sobre os rumos da advocacia em um cenário de constante evolução.

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Na abertura do evento, a presidente da AASP, Paula Lima Hyppolito Oliveira, destacou a importância de criar espaços de diálogo e atualização para a advocacia em um momento marcado por profundas mudanças sociais, tecnológicas e regulatórias. “A Inteligência Artificial já transforma a rotina jurídica e amplia eficiência em diversas atividades, mas a AASP defende uma inovação responsável, que preserve garantias, valorize o julgamento humano e fortaleça a atuação técnica da advocacia”, afirmou.

Inteligência Artificial e os novos desafios da advocacia

A aplicação da Inteligência Artificial na advocacia foi um dos temas centrais do encontro. Durante o debate, Adriana Calvo e Karolyne Utomi abordaram tanto o potencial da tecnologia para ampliar a produtividade e otimizar atividades jurídicas quanto os desafios relacionados à segurança da informação, aos vieses algorítmicos, às chamadas “alucinações” dos sistemas e à necessidade de supervisão humana no uso dessas ferramentas.

O tema tem ganhado espaço crescente nos escritórios e departamentos jurídicos, exigindo dos profissionais não apenas domínio técnico das novas ferramentas, mas também atenção aos limites éticos, à responsabilidade envolvida em sua utilização e aos impactos que essas tecnologias podem gerar na tomada de decisões.

Saúde mental, NR-1 e os novos desafios das empresas

As mudanças no ambiente corporativo e seus reflexos nas relações de trabalho também estiveram entre os principais temas debatidos. Fabiano Zavanella abordou a incorporação dos riscos psicossociais ao gerenciamento ocupacional prevista na NR-1, tema que vem mobilizando empresas e profissionais diante do aumento das discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho.

Na sequência, Homero Batista tratou do fortalecimento do sistema de precedentes trabalhistas como instrumento relevante para ampliar a segurança jurídica, promover maior previsibilidade das decisões e contribuir para a racionalização do contencioso, em um cenário de constantes mudanças nas relações entre empregadores e trabalhadores.

Processo Civil, Previdência e os impactos da transformação digital

As transformações tecnológicas e demográficas também pautaram debates sobre Processo Civil e Previdência Social. Carolina Uzeda abriu as discussões abordando temas ligados à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e aos embargos de declaração. Na sequência, Beatriz Felitte analisou os limites da intervenção judicial na revisão de contratos.

Leonardo Carneiro da Cunha e Lucas Buril discutiram a efetividade da tutela jurisdicional, a execução civil, as provas digitais e a cadeia de custódia, questões cada vez mais relevantes em uma sociedade marcada pela digitalização das relações e pela crescente produção de evidências em ambiente eletrônico.

Juliano Barra e Patrícia Helena Azevedo Lima analisaram os desafios da nova advocacia previdenciária, os reflexos do envelhecimento populacional e as mudanças no mercado de trabalho, destacando a necessidade de profissionais cada vez mais preparados para lidar com cenários complexos, multidisciplinares e impactados pela evolução tecnológica.

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Ao reunir diferentes perspectivas sobre inovação, proteção social, tecnologia e evolução institucional do Direito, o Simpósio reforçou a importância da atualização permanente, da troca de experiências e da construção coletiva de soluções para uma advocacia cada vez mais impactada por mudanças tecnológicas, novas demandas sociais e desafios regulatórios.

SÃO PAULO WEATHER