Demarest assessora BRB em securitização inédita de R$ 55 bi

Demarest assessora BRB em securitização inédita de R$ 55 bi
Operação do BRB marca primeira securitização de créditos públicos sob nova lei brasileira/Joédson Alves/Agência Brasil
Publicado em 01/06/2026 às 12:01

Da Redação de LexLegal

O Demarest Advogados assessorou o BRB Banco de Brasília na primeira operação de securitização de créditos públicos realizada no Brasil sob as regras da Lei Complementar 208/2024. A transação movimentou R$ 55,3 bilhões e envolveu créditos tributários e não tributários do Distrito Federal inscritos em dívida ativa.

A operação é considerada inédita no mercado brasileiro e pode abrir caminho para que União, estados e municípios utilizem modelos semelhantes para reforçar caixa e ampliar capacidade de investimento.

Leia também: Demarest, Lefosse e Trindade atuam em compra da Mills pela Loxam

A securitização funciona como uma antecipação de receitas futuras. O governo transfere créditos que tem a receber, como dívidas tributárias e multas, para uma securitizadora, empresa responsável por transformar esses recebíveis em títulos financeiros vendidos ao mercado.

Nesse caso, os créditos do Distrito Federal foram cedidos para a Vera Companhia Securitizadora, que emitiu debêntures lastreadas nesses ativos. Debêntures são títulos de dívida usados para captar recursos junto a investidores.

Os créditos envolvidos na operação incluem valores tributários e não tributários registrados em dívida ativa, categoria usada para identificar débitos que o poder público tenta recuperar judicial ou administrativamente.

A emissão foi dividida em cinco séries organizadas em estrutura de subordinação em cascata. Nesse modelo, algumas classes de investidores recebem prioridade de pagamento e assumem menor risco, enquanto outras absorvem primeiro eventuais perdas da operação.

As séries sênior e mezzanine foram distribuídas em oferta pública coordenada pelo BTG Pactual no valor de R$ 1 bilhão. Já as séries subordinadas ficaram em colocação privada junto ao próprio Distrito Federal.

A operação pode ampliar o chamado espaço fiscal do governo distrital, expressão usada para definir margem financeira disponível para novos investimentos e aportes públicos.

Segundo as informações divulgadas pela operação, os recursos podem ajudar o Distrito Federal a participar do aumento de capital do BRB, movimento apontado como o maior aumento privado de capital já realizado por uma companhia aberta brasileira.

Nova lei abre caminho para mercado bilionário de créditos públicos

A Lei Complementar 208/2024 criou novas regras para operações envolvendo securitização de créditos públicos no Brasil.

Até então, existiam discussões jurídicas e limitações regulatórias sobre a possibilidade de governos transformarem dívidas tributárias em ativos financeiros negociados no mercado de capitais.

A nova legislação abriu espaço para estados, municípios e União estruturarem operações semelhantes para reforço de caixa, financiamento público e reorganização fiscal.

Especialistas do mercado avaliam que o modelo pode gerar uma nova frente bilionária de operações financeiras envolvendo créditos públicos, especialmente em estados com elevado estoque de dívida ativa.

Ao mesmo tempo, a estrutura também deve ampliar debates sobre riscos fiscais, transparência, impacto sobre arrecadação futura e endividamento indireto do setor público.

Demarest liderou estrutura jurídica da operação

A assessoria jurídica do BRB foi conduzida pelo Demarest Advogados. A operação foi liderada pelos sócios Thiago Giantomassi e Virginia Mesquita, com participação dos advogados Beatriz MarinoCintia EguchiIsadora Barretto Almeida e Rodrigo Tragante.

O BTG Pactual atuou como coordenador da oferta pública das séries distribuídas ao mercado. Já a Vera Companhia Securitizadora foi responsável pela estruturação financeira dos títulos lastreados nos créditos públicos do Distrito Federal.

Mercado acompanha impacto regulatório da operação

A operação do BRB passa a ser observada como precedente para futuras emissões envolvendo créditos públicos em todo o país.

O modelo pode atrair interesse de governos estaduais e municipais em busca de alternativas de financiamento diante da pressão fiscal crescente e das limitações orçamentárias impostas pelo cenário econômico.

Veja também: Demarest e I2a Advogados assessoram captação de R$ 312,5 milhões para Fiagro

O avanço dessas estruturas também deve ampliar a atenção de órgãos de controle, tribunais de contas e reguladores sobre riscos fiscais, transparência e governança em operações de securitização pública.

SÃO PAULO WEATHER