Estatuto do Aprendiz: oportunidade de transformar qualificação em inclusão e futuro para milhões de jovens

Estatuto do Aprendiz: oportunidade de transformar qualificação em inclusão e futuro para milhões de jovens
A expectativa é que a proposta seja aprovada sem retrocessos, preservando os avanços conquistados ao longo de mais de sete anos de discussão/Magnific
Publicado em 26/05/2026 às 6:00

Humberto Casagrande*

O Brasil vive um momento decisivo para a juventude. A aprovação do Projeto de Lei 6.461/2019 pela Câmara dos Deputados, que cria o Estatuto do Aprendiz, representa muito mais do que uma atualização legislativa. Trata-se da consolidação de uma política pública capaz de ampliar oportunidades, combater a exclusão social e fortalecer o acesso ao primeiro emprego.

Em um país onde milhares de jovens enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, a aprendizagem profissional se tornou uma das ferramentas mais eficientes de inclusão produtiva.

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Os números comprovam isso. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em novembro de 2025, o Brasil registrou mais de 715 mil aprendizes ativos, o maior resultado da série histórica. Apenas entre janeiro e novembro do mesmo ano, foram firmados mais de 118 mil novos contratos.

O crescimento não aconteceu por acaso. O modelo de aprendizagem combina formação técnica, experiência prática e proteção social. Jovens entre 14 e 24 anos têm acesso ao mercado de trabalho com carteira assinada, salário, férias, FGTS e capacitação profissional. Mais do que gerar renda, o programa abre caminhos para novas perspectivas de vida.

O Estatuto do Aprendiz surge justamente para fortalecer esse sistema. Durante a tramitação do projeto, houve propostas que poderiam reduzir vagas e enfraquecer a política de formação profissional, como a exclusão de funções da base de cálculo das cotas obrigatórias nas empresas. Essas alterações acabaram rejeitadas após forte mobilização de entidades, especialistas e organizações da sociedade civil.

A articulação em defesa do Estatuto ganhou dimensão nacional. Mais de 40 entidades participaram de ações no Senado Federal para apoiar a regulamentação da aprendizagem profissional e ampliar o diálogo com parlamentares.

O movimento demonstra que o tema deixou de ser apenas uma pauta técnica e passou a ocupar posição estratégica no debate sobre desenvolvimento econômico e inclusão social.

Outro aspecto relevante é o impacto direto da aprendizagem na redução das desigualdades. Grande parte dos aprendizes vem de famílias de baixa renda e encontra no programa a primeira oportunidade formal de trabalho. Em muitos casos, a experiência resulta em contratação efetiva, como ocorreu com milhares de jovens brasileiros nos últimos anos.

O perfil dos participantes também revela o alcance social da política de aprendizagem. Dos 715.277 aprendizes no país, 52,9% são do gênero feminino e 47,1% do masculino. Em relação à raça/cor, 336.923 se declaram pardos, 296.991 brancos, 72.148 pretos, 4.252 amarelos e 1.743 indígenas.

Quanto à faixa etária, 419.102 têm até 17 anos, 293.517 estão entre 18 e 24 anos e 2.659 possuem mais de 25 anos — grupo composto por pessoas com deficiência, para as quais não há limite máximo de idade para contratação na modalidade de aprendizagem.

Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego reforçam como a aprendizagem profissional alcança públicos diversos e contribui diretamente para inclusão social, qualificação e geração de oportunidades.

A expectativa do setor é que o novo Estatuto fortaleça ainda mais esse cenário. A proposta deve ampliar de forma significativa a presença de jovens no mercado de trabalho, contribuindo para superar a marca de 1 milhão de contratações em todo o Brasil. Esse resultado reforça o potencial da aprendizagem profissional como motor de transformação social e econômica.

Defender o Estatuto do Aprendiz é defender um país com mais oportunidades. O Brasil ainda enfrenta desafios enormes relacionados ao desemprego juvenil, à evasão escolar e à falta de qualificação profissional. Ignorar a importância da aprendizagem significa desperdiçar talentos, ampliar desigualdades e comprometer o futuro econômico do país.

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Agora, o texto segue para análise do Senado. A expectativa é que a proposta seja aprovada sem retrocessos, preservando os avanços conquistados ao longo de mais de sete anos de discussão. O desafio não é apenas aprovar uma lei, mas garantir que milhões de jovens tenham acesso real à formação, renda e dignidade.

O Estatuto do Aprendiz não é apenas uma pauta trabalhista. É uma escolha sobre qual futuro o Brasil deseja construir.

*Humberto Casagrande é CEO do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).

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