Lula promete vetar envio em massa de mensagens na minirreforma eleitoral

Lula promete vetar envio em massa de mensagens na minirreforma eleitoral
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista ao programa Sem Censura da TV Brasil/Tânia Rêgo/Agência Brasil
Publicado em 23/05/2026 às 9:00

Da Redação de LexLegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vai barrar o trecho da minirreforma eleitoral que autoriza o disparo em massa de mensagens para eleitores cadastrados. A proposta, chancelada de forma simbólica pela Câmara dos Deputados, altera a prestação de contas dos partidos e flexibiliza mecanismos de fiscalização. O governo pretende articular contra a medida primeiro no Senado antes de recorrer ao veto presidencial.

A flexibilização aprovada pelos deputados permite a automação de envios a listas prévias, o que entidades civis apontam como brecha para a proliferação de robôs e desinformação. O Executivo argumenta que as ferramentas de inteligência artificial distorcem o processo democrático nas disputas municipais e estaduais.

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“Acho que está na hora de a gente pensar que a inteligência artificial vale para muita coisa, mas ela não pode valer na disputa eleitoral para escolher um prefeito, um governador, um deputado. Não pode. E, agora, as bancadas aprovaram [na Câmara] uma coisa que vai fomentar o uso de robôs na eleição. Eu certamente vetarei. Primeiro, vou trabalhar para o Senado não aprovar, e depois eu vetarei”, afirmou Lula.

O financiamento político atual também foi alvo de críticas da Presidência, que apontou distorções no direcionamento de recursos públicos a parlamentares por meio de fundos institucionais e emendas orçamentárias.

“Eu era favorável a fundo partidário, a fundo eleitoral, hoje eu sou contra, porque levou à promiscuidade na política. Um deputado hoje tem R$ 50 milhões, R$ 60 milhões de emendas por ano”, disse Silva.

Ao analisar o avanço do extremismo e a hostilidade no cenário global, o presidente traçou um paralelo com a polarização partidária nos Estados Unidos e defendeu a regulação do impacto das plataformas digitais na sociedade.

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“O mundo tá diferente, nervoso, polarizado. Não é [só] no Brasil. Nos EUA, democratas e republicanos, há 20 anos atrás, viviam como se fossem parceiros, só tinha disputa na época eleitoral. Hoje, 90% dos republicanos não aceitam que a filha se case com um democrata”, declarou o presidente.

SÃO PAULO WEATHER