Entenda as mudanças na legislação da Minirreforma eleitoral aprovada pela Câmara

Entenda as mudanças na legislação da Minirreforma eleitoral aprovada pela Câmara
Projeto aprovado sem registro nominal na Câmara segue para análise do Senado/Lula Marques/ Agência Brasil
Publicado em 21/05/2026 às 17:00

Da Redação de LexLegal

A Câmara dos Deputados aprovou uma minirreforma eleitoral que limita multas aplicadas a partidos políticos, amplia prazo para parcelamento de dívidas e impede o bloqueio de recursos dos fundos Partidário e Eleitoral. O texto foi aprovado em votação simbólica, sem registro nominal dos votos no painel da Casa.

A proposta altera regras de fiscalização, prestação de contas e propaganda eleitoral. O projeto segue agora para o Senado e enfrenta reação de entidades ligadas ao combate à corrupção eleitoral.

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Entre os principais pontos da proposta está o limite de R$ 30 mil para multas por contas desaprovadas, mesmo em casos de irregularidades de valores mais altos. O texto também permite que partidos parcelem dívidas em até 15 anos. Outro trecho impede a penhora ou bloqueio de verbas do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral para pagamento de condenações. Na prática, a medida reduz instrumentos usados pela Justiça Eleitoral para executar punições.

A proposta ainda reduz de cinco para três anos o prazo para julgamento das prestações de contas partidárias. Caso o processo não seja concluído dentro desse período, poderá ser encerrado sem decisão definitiva.

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) criticou a tramitação do projeto. “A aprovação ocorreu por votação simbólica, sem identificação individualizada dos votos parlamentares, dificultando que a população conheça o posicionamento de seus representantes sobre as medidas”, afirmou a entidade em nota.

O grupo, que reúne mais de 70 organizações da sociedade civil, classificou o texto como um “grave retrocesso” para a fiscalização eleitoral e o controle dos recursos públicos destinados aos partidos.

Já o relator da proposta, deputado Rodrigo Gambale, do Podemos de São Paulo, defendeu as mudanças. Segundo ele, o projeto busca “otimizar a gestão partidária, garantir segurança jurídica das agremiações e harmonizar as normas de fiscalização com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade”.

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O texto também autoriza o envio automatizado de mensagens para eleitores previamente cadastrados. Críticos apontam risco de ampliação de disparos em massa durante campanhas eleitorais e aumento da circulação de desinformação.

“O tema foi incluído na pauta de maneira repentina, sem o necessário debate público com a sociedade civil, especialistas e instituições comprometidas com a defesa da integridade eleitoral”, afirmou o MCCE.

A entidade pediu que o Senado promova debate amplo antes da votação final da proposta.

SÃO PAULO WEATHER