PF prende hacker em Dubai por atuar em milícia digital de ex-dono do Banco Master

Da Redação de LexLegal
A Polícia Federal (PF) prendeu neste sábado o hacker Victor Lima Sedlmaier, apontado como integrante de uma organização criminosa ligada ao Banco Master e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. Foragido da Justiça brasileira, Sedlmaier foi capturado em Dubai em uma ação internacional que envolveu a Interpol e a polícia dos Emirados Árabes Unidos. O mandado de prisão preventiva havia sido expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O investigado tentava ingressar em território árabe quando foi retido pelas autoridades locais e deportado imediatamente. A prisão ocorreu após o desembarque do suspeito no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Sedlmaier é investigado na 6ª fase da Operação Compliance Zero, que apura um escândalo financeiro bilionário e a criação de estruturas paralelas para monitoramento ilegal e coação de autoridades e desafetos.
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Ataques cibernéticos e intimidação a mando de banqueiro
De acordo com o relatório da PF enviado ao Supremo, a estrutura criminosa era dividida em dois núcleos principais chamados A Turma e Os Meninos. O hacker preso em Dubai operava no segundo grupo, especializado em invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais, monitoramento digital clandestino e ciberataques. As ações eram financiadas e direcionadas para proteger os interesses econômicos e jurídicos de Daniel Vorcaro.
“Em síntese, o que se extrai, nesta fase, é que Henrique Moura Vorcaro não apenas se beneficiava dos serviços ilícitos da Turma, mas os solicitava, os fomentava financeiramente e permanecia em contato com seus operadores mesmo após o avanço ostensivo das investigações, revelando vínculo funcional intenso, contemporâneo e indispensável à manutenção do grupo criminoso”, descreve André Mendonça, ministro do STF e relator do caso. O magistrado decretou a prisão do pai do ex-banqueiro na mesma semana, apontando-o como líder operacional da milícia privada.
Provas em celulares e transferência para presídio federal
O avanço das investigações ocorreu após a extração de dados e mensagens do telefone celular de Vorcaro e de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado preso em fases anteriores da operação. Silva, considerado um dos principais operadores da Turma, foi transferido para uma penitenciária federal de segurança máxima devido aos indícios de que continuava exercendo influência sobre a rede de espionagem ilegal mesmo após o início das ações ostensivas.
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A Polícia Federal aponta que a rede de monitoramento monitorava passos de investigadores, magistrados e concorrentes do mercado financeiro. Os novos materiais apreendidos em Guarulhos passarão por perícia técnica para mapear outros alvos do grupo cibernético. A defesa dos investigados e a assessoria do Banco Master não se manifestaram sobre as prisões e sobre o teor das decisões assinadas pelo ministro André Mendonça até o fechamento desta edição.