PF faz buscas na casa de Cláudio Castro em operação sobre fraude de R$ 52 bilhões

Da Redação de LexLegal
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, que tem como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). A investigação apura um esquema bilionário de sonegação fiscal e evasão de divisas envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no apartamento de Castro, na Barra da Tijuca, onde apreenderam malotes após três horas de diligência.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros. A Polícia Federal suspeita que a refinaria utilizava laranjas e empresas de fachada para esconder patrimônio no exterior. Segundo a PF, o grupo usava sua estrutura “para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”.
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Interpol e conexões com agentes públicos
O empresário Ricardo Magro, controlador da Refit, é um dos principais alvos da operação. Moraes ordenou a inclusão do nome de Magro na Difusão Vermelha da Interpol, a lista de criminosos mais procurados do mundo. Além do ex-governador, a Justiça afastou sete servidores de suas funções, incluindo o desembargador Guaraci Vianna e o ex-secretário de Fazenda Juliano Pasqual.
O caso tramita no STF dentro da chamada ADPF das Favelas, processo que monitora a relação entre o crime organizado e a cúpula do poder no Rio de Janeiro. Conforme os investigadores, o esquema de combustíveis gerava rombos sucessivos na arrecadação estadual por meio de classificações fiscais falsas. “Ainda não tinha conhecimento da motivação da busca e apreensão”, afirmou Carlo Luchione, advogado de Castro, ao g1 sobre a chegada dos agentes à residência do político.
Crise institucional e sucessão no Rio
Cláudio Castro renunciou ao mandato de governador em março, pouco antes de ter a inelegibilidade confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O estado vive uma vacância no Executivo, sendo governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto. Castro, que planejava concorrer ao Senado em outubro, agora enfrenta o avanço das investigações sobre lavagem de dinheiro.
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A Refit acumula histórico de sanções da ANP e já havia sido alvo de buscas em novembro por prejuízos estimados em R$ 26 bilhões. O combustível era importado sob justificativas fraudulentas e distribuído por postos controlados pelo mesmo grupo. A Polícia Federal e a Receita Federal agora analisam os documentos colhidos na casa de Castro para identificar se houve recebimento de propina para facilitar o funcionamento da refinaria.