Lucro da Caixa cai 34% no trimestre com novas regras de reserva contra calotes

Da Redação de LexLegal
A Caixa Econômica Federal fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, o que representa um recuo de 34,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O balanço, publicado nesta quinta-feira, aponta que o resultado foi pressionado por normas do Banco Central que obrigaram a instituição a elevar drasticamente suas provisões. As reservas para perdas com crédito saltaram 225% em doze meses, somando R$ 6,5 bilhões.
Diferente do modelo anterior, as regras atuais exigem que o banco registre perdas esperadas e não apenas as que já ocorreram. Essa mudança contábil funciona como uma blindagem preventiva contra a inadimplência, que atingiu 3,71% na carteira do banco. Apesar do lucro menor, a Caixa apresentou evolução positiva em relação ao último trimestre de 2025, com alta de 25,4% no resultado imediato.
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Liderança no setor imobiliário e expansão do crédito
Mesmo com o cenário regulatório mais rígido, a carteira de crédito total da Caixa cresceu 11,3%, alcançando R$ 1,41 trilhão. O financiamento habitacional continua sendo o pilar de sustentação do banco, com um saldo de R$ 966,2 bilhões. Atualmente, a instituição detém 68% de participação no mercado imobiliário brasileiro, tendo contratado R$ 64,2 bilhões em novos financiamentos apenas nos primeiros três meses do ano.
O banco informou que o aumento das provisões decorre da transição regulatória determinada pelo Banco Central. Segundo a Caixa Econômica Federal, os números não devem ser interpretados como deterioração direta da qualidade da carteira de crédito. O banco reforça que a medida é um ajuste técnico de cobertura de risco que atinge todo o sistema financeiro nacional, visando maior estabilidade bancária.
Desempenho no consignado e agronegócio
No segmento de pessoa física, a carteira somou R$ 154,9 bilhões, com forte dependência do crédito consignado, que responde por quase 74% desse montante. Já o agronegócio, setor em que a Caixa vem tentando ganhar espaço, registrou um saldo de R$ 64,9 bilhões. No campo das receitas, o banco teve um desempenho sólido, com a margem financeira subindo 11,8% e a arrecadação com serviços avançando 12,5%.
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Os ativos totais da Caixa atingiram R$ 2,4 trilhões ao final de março, consolidando o banco como um dos maiores operadores financeiros do país. O patrimônio líquido também apresentou evolução de 8,5% no ano, chegando a R$ 153,2 bilhões. Para os próximos trimestres, a gestão foca na eficiência operacional para diluir o impacto das despesas, que subiram 6% no período.