PL da Misoginia sofre ofensiva de fake news com IA e teorias conspiratórias

PL da Misoginia sofre ofensiva de fake news com IA e teorias conspiratórias
Levantamento revela padrões de comportamento e uso de IA para espalhar mentiras sobre projeto de combate à misoginia/Paulo Pinto/Agência Brasil
Publicado em 10/05/2026 às 12:01

Da Redação de LexLegal

O projeto que criminaliza a misoginia no Brasil tornou-se o novo alvo de uma rede coordenada de desinformação. Um levantamento do Observatório Lupa identificou quase 300 mil publicações no X e milhares em outras redes sociais que distorcem o texto aprovado pelo Senado. O estudo aponta o uso de inteligência artificial e narrativas falsas para associar a proposta à perseguição ideológica e restrição da liberdade de expressão.

O PL 896/2023 define misoginia como o ódio ou aversão às mulheres e busca incluí-la na Lei do Racismo. Se o texto passar pela Câmara, condutas misóginas poderão render de dois a cinco anos de prisão. Políticos de direita e influenciadores digitais, contudo, têm disseminado que o projeto criminalizaria passagens da Bíblia ou perguntas banais do cotidiano, como questionamentos sobre TPM, o que não consta na proposta.

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“As publicações mais virais sobre o PL da Misoginia têm explorado, sobretudo, o medo como motor de engajamento”, afirma o relatório do Observatório Lupa. De acordo com os pesquisadores, a estratégia ignora que a punição exige a comprovação de práticas discriminatórias que gerem humilhação ou medo em razão do gênero.

IA e vídeos forjados

A ofensiva digital utilizou ferramentas de inteligência artificial para simular consequências econômicas inexistentes, como supostas demissões em massa de mulheres por medo de processos. Um dos picos de engajamento ocorreu com um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que misturou trechos de outro projeto para atacar o texto atual. A postagem bateu 751 mil visualizações em um único dia antes de ser editada.

Cultura Redpill e desinformação

O estudo destaca o avanço de termos da comunidade “redpill”, que apresenta a lei como uma perseguição sistemática aos homens. Entre os propagadores mais influentes citados pelo relatório estão o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o vereador Lucas Pavanato (PL). A análise conclui que a distorção do debate serve para ampliar o engajamento através do pânico moral, ignorando o contexto jurídico real da proposta.

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“Ao ignorar esse contexto, as postagens distorcem o debate e ampliam a desinformação”, conclui o estudo da Lupa.

SÃO PAULO WEATHER