“Taxa das blusinhas” reduziu importações e preservou empregos, diz CNI

“Taxa das blusinhas” reduziu importações e preservou empregos, diz CNI
Levantamento aponta queda nas compras internacionais e aumento na arrecadação após nova tributação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Publicado em 23/04/2026 às 15:00

Da Redação de LexLegal

A cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, reduziu o volume de importações e ajudou a preservar empregos no Brasil, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo indica que a medida teve impacto direto no comércio eletrônico internacional e na arrecadação federal.

De acordo com a entidade, bilhões de reais deixaram de ser destinados à compra de produtos estrangeiros, enquanto parte desse consumo foi absorvida pela economia nacional. O levantamento aponta que a tributação alterou o fluxo de compras internacionais e ampliou o volume de recursos movimentados dentro do país.

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Entre os principais dados divulgados, a CNI estima que R$ 4,5 bilhões em importações foram evitadas. O estudo também aponta que 135,8 mil empregos foram preservados e que R$ 19,7 bilhões circularam na economia brasileira após a adoção da medida.

Queda nas remessas e aumento da arrecadação

Os dados mostram redução no número de encomendas internacionais após a entrada em vigor da tributação. Segundo a CNI, houve queda de 10,9% nas remessas internacionais entre 2024 e 2025.

No primeiro semestre de 2025, a retração foi ainda maior. O número de pacotes enviados ao Brasil caiu 23,4% em relação ao mesmo período de 2024, antes da aplicação da nova regra.

O levantamento também aponta aumento na arrecadação federal. Em 2024, a cobrança sobre remessas internacionais gerou R$ 1,4 bilhão. Em 2025, esse valor subiu para R$ 3,5 bilhões.

A CNI afirma que o principal objetivo da medida é reduzir distorções no comércio entre produtos nacionais e estrangeiros.

“O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda”, afirmou em nota Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.

“Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”, acrescentou.

Mudança nas regras de importação

A chamada taxa das blusinhas estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida entrou em vigor em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme, criado para regulamentar operações de comércio eletrônico internacional.

Com a nova regra, o imposto passou a ser cobrado diretamente no momento da compra, o que facilita o controle das operações e reduz o risco de irregularidades.

Segundo o levantamento, o volume total de encomendas caiu após a mudança. Em 2024, o país registrou 179,1 milhões de remessas internacionais. Em 2025, esse número recuou para 159,6 milhões.

A projeção feita pela indústria indicava que, sem a tributação, o número poderia ter superado 205 milhões de pacotes no ano.

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Antes da mudança nas regras, parte dos produtos importados de baixo valor entrava no país sem recolher integralmente tributos aplicáveis a mercadorias nacionais. Segundo a CNI, isso criava distorções no mercado e dificultava a concorrência entre empresas brasileiras e fornecedores estrangeiros.

O levantamento também aponta que a nova sistemática reduziu práticas consideradas irregulares, como subfaturamento, divisão artificial de pedidos e uso indevido de isenções tributárias.

Para a entidade, o efeito mais direto da medida foi ampliar o controle sobre operações internacionais e fortalecer a arrecadação federal ao longo de 2025.

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