Economia Prateada: número de empreendedores acima dos 60 anos cresce 58% em uma década

Economia Prateada: número de empreendedores acima dos 60 anos cresce 58% em uma década
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
Publicado em 20/04/2026 às 11:17

Da Redação de LexLegal

O Brasil registra atualmente 4,5 milhões de empreendedores na chamada Economia Prateada, grupo formado por pessoas com mais de 60 anos. Segundo o Sebrae Nacional, o contingente saltou 58,6% nos últimos dez anos, impulsionado pelo desejo de longevidade ativa e pela busca de novas fontes de renda.

Leia também: Turistas e moradores ficam retidos no Morro Dois Irmãos durante tiroteio no Vidigal

O programa Empreendedorismo Sênior 60+, que atendeu 869 mil pessoas em 2025, projeta alcançar 1 milhão de participantes ainda em 2026. O suporte foca em adaptar modelos de negócio que permitam ao idoso investir sem abrir mão da qualidade de vida.

Propósito e saberes tradicionais no front

A motivação do empreendedor sênior costuma estar ligada à realização pessoal e ao impacto social. “Existe uma possibilidade de carreira, de continuidade. Tenho visto que as pessoas de 60 anos se identificam com um propósito. Elas querem algo que tenha a ver com a sua experiência, mas que resolva também problemas da comunidade”, explica Gilvany Isaac, gestora nacional do Sebrae.

O setor observa forte inclinação para negócios que resgatam saberes locais, como artesanato sustentável, ervas medicinais e turismo. A consultoria gratuita oferecida pela entidade abrange desde o desenho da jornada até a mentoria para quem deseja abrir empresas voltadas especificamente para o consumidor maduro.

Etarismo e impacto no mercado de trabalho

O envelhecimento populacional alterou a dinâmica da força de trabalho no país. Dados do Ibre/FGV mostram que um quinto dos brasileiros em idade laboral já pertence à Geração Prateada, com maior concentração no Rio de Janeiro (24,1%) e Rio Grande do Sul (23,7%). A pesquisadora Janaína Feijó destaca que o perfil desse grupo hoje é mais saudável e engajado, rompendo estereótipos de inatividade.

Veja também: Rodrigo Zambão assume sociedade no Willeman Advogados

Contudo, o preconceito de idade ainda é barreira nas empresas. “O que acontece no Brasil é que a população está envelhecendo e não dispõe de jovens para repor essa mão-de-obra, que está envelhecendo. Se a gente não contar com a mão-de-obra 60+, no fim das contas, a gente está prejudicando o crescimento econômico do país”, afirma Janaína.

SÃO PAULO WEATHER