Começa na Bahia júri popular de acusados de assassinar líder religiosa Mãe Bernadete

Da redação de LexLegal
O julgamento de Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, acusados pelo assassinato da ialorixá Mãe Bernadete, começou nesta segunda-feira (13) no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A sessão ocorre após adiamento em fevereiro e foca no crime ocorrido em 2023, em Simões Filho, onde a líder foi executada com 25 tiros dentro de casa. Arielson é réu confesso e está detido, enquanto Marílio permanece foragido da Justiça baiana.
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A acusação sustenta que o homicídio foi qualificado por motivo torpe, meio cruel e sem chance de defesa. Manifestantes e familiares ocuparam a frente do fórum exigindo punição rigorosa. O advogado da família, Hédio Júnior, reforçou que as perícias e confissões são determinantes para o caso.
“O mundo precisa ter um resultado, que seja a condenação à pena máxima. As provas são irrefutáveis, são provas periciais. Esse executor que está aqui foi reconhecido pelas testemunhas. Ele é réu confesso, ele confessou na polícia, depois confessou no juízo, você tem prova de grampo telefônico, de rastreamento de antena de celular, prova pericial, prova de balística. Portanto o que se hoje aqui se espera, e eu confio muito no discernimento dos jurados, é a condenação à pena máxima”, afirmou o defensor.
Mãe Bernadete era uma voz central na defesa dos territórios quilombolas e lutava por justiça pela morte de seu filho, Binho do Quilombo, também assassinado. Mesmo sob o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, a ialorixá de 72 anos foi morta após denunciar ameaças sucessivas.
Jurandir Pacífico, filho da líder, reiterou o desejo de justiça. “Minha expectativa é que se comece a se fazer justiça para esse assassinato bárbaro. Vou chegar cedinho. Minha mãe era uma pessoa de 72 anos que sempre atuou em defesa dos direitos humanos”, disse.
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Outros três denunciados pelo Ministério Público, incluindo o suposto mandante, ainda aguardam a marcação de seus julgamentos enquanto o processo atual tenta encerrar um capítulo de impunidade na Região Metropolitana de Salvador.