Empresas brasileiras mostram lentidão fiscal a nove meses do novo IVA

Empresas brasileiras mostram lentidão fiscal a nove meses do novo IVA
Setores contábeis enfrentam pressão para adaptar sistemas de emissão de notas às regras do IVA Dual/Agência Brasil
Publicado em 11/04/2026 às 16:26

Da redação de LexLegal

A proximidade da reforma tributária expõe gargalos operacionais no setor privado brasileiro. Faltando menos de nove meses para a estreia do Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) Dual, um levantamento da consultoria V360 revela que 62,2% das companhias levam mais de 20 dias para registrar uma nota fiscal.

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O cenário é agravado pela chamada falsa automação: embora 87% das empresas declarem ter processos automáticos, a maioria ainda depende de intervenção humana para validar dados. Essa ineficiência ameaça a adaptação ao modelo que unifica tributos como IBS e CBS.

Gargalos operacionais e o risco da automação incompleta

O estudo, que ouviu 355 profissionais de médias e grandes corporações, mostra que apenas 49% das empresas conseguem registrar notas no sistema sem qualquer ação manual. O problema central reside na integração dos sistemas de gestão (ERP) com o complexo ambiente tributário nacional.

Segundo o CEO da V360, Izaias Miguel, muitas organizações acreditam estar digitalizadas, mas mantêm funcionários conferindo ajustes e dados. O documento entra de forma automática, mas a conclusão do processo ainda é lenta e suscetível a falhas.

Fase de testes e novas obrigações em 2026

A partir de 2026, as empresas entram em um período de transição com alíquotas simbólicas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS. Mesmo com valores baixos, as obrigações acessórias são imediatas e exigem mudanças nos campos das notas fiscais.

“Muitas empresas acreditam que estão automatizadas, mas ainda dependem de pessoas para validar dados e concluir processos”, afirma Miguel. A Receita Federal suspendeu multas por falta de discriminação dos novos tributos apenas até o quarto mês após a regulamentação, pressionando as companhias a correrem com os testes.

O risco de erros operacionais aumenta com a necessidade de operar dois sistemas tributários simultaneamente. Apenas 48% das empresas realizam a conferência completa de valores e quantidades em relação aos pedidos de compra. Para Izaias Miguel, a execução da reforma dentro de estruturas pouco integradas é o maior desafio atual.

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“O estudo mostra fragilidades importantes nos processos de validação: menos da metade das empresas fazem uma checagem completa das notas fiscais contra pedidos de compra, enquanto o restante opera com validações parciais ou manuais. Esse cenário aumenta o risco de erro”, diz.

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