Guerra no Oriente Médio derruba exportações do agronegócio brasileiro em 26% para a região

Da redação de LexLegal
O primeiro mês do conflito armado envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou um impacto imediato na balança comercial brasileira. As exportações para o Oriente Médio despencaram 26% em março, caindo de US$ 1,2 bilhão em 2025 para US$ 882 milhões neste ano.
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Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a instabilidade na região travou o fluxo de mercadorias em um mercado vital para a proteína animal e grãos produzidos no Brasil. Apesar do recuo regional, o país fechou o mês com superávit global de US$ 6,4 bilhões, impulsionado pela valorização das commodities energéticas.
Carne suína e frango lideram perdas no mercado árabe
O agronegócio foi o setor mais castigado pela tensão geopolítica. As vendas de carne suína para os 15 países da região recuaram 59%, enquanto o frango, carro-chefe das exportações para o Oriente Médio, sofreu queda de 22%. A soja também registrou retração de 25%.
O governo brasileiro tenta mitigar os danos logísticos por meio de um acordo recente com a Turquia para o armazenamento temporário de cargas. No entanto, o diretor de Estatísticas da pasta, Herlon Brandão, prega cautela antes de carimbar a guerra como única culpada. “Para fazer uma afirmação de que o conflito está afetando o fluxo comercial, é necessário esperar um pouco mais”, disse Brandão (Fonte: Mdic).
Petróleo dispara 70% em valor, mas nova taxa ameaça fôlego
Se o campo perdeu, o setor extrativo de energia surfou na alta dos preços internacionais. As exportações de óleo bruto avançaram 70,4% em valor, somando US$ 4,7 bilhões. O crescimento em volume também foi robusto, chegando a 75,9%.
O cenário de guerra afetou cerca de 20% do comércio global de petróleo, elevando o preço do barril. Contudo, o fôlego dessas vendas pode diminuir nos próximos meses. Para compensar parte dos subsídios ao diesel, o governo introduziu, em meados de março, uma alíquota de 12% sobre as exportações brasileiras de petróleo, medida que deve encarecer o produto nacional no exterior.
China compensa quedas registradas nos EUA e na Argentina
O mapa do comércio exterior brasileiro mostrou sinais de fadiga em parceiros tradicionais em março. As vendas para os Estados Unidos caíram 9,1% e para a Argentina o recuo foi de 5,9%. O Brasil registrou inclusive déficit comercial com os americanos no período.
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Em contrapartida, a China reforçou sua posição de maior parceiro comercial, com crescimento de 17,8% nas compras de produtos brasileiros e um superávit de US$ 3,8 bilhões. A União Europeia também apresentou balanço positivo de 7,3%, ajudando a equilibrar as contas nacionais em um mês de extrema volatilidade nas cadeias globais de energia e alimentos.