Estado indeniza banda que teve disco censurado e sofreu perseguição durante a ditadura militar

Da redação de LexLegal
O grupo musical pernambucano Ave Sangria receberá indenização do Estado brasileiro pelos danos sofridos durante o regime militar. A decisão foi aprovada pela Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
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Ícone da psicodelia nordestina, a banda teve sua trajetória bruscamente interrompida em 1974, quando a censura recolheu das lojas todos os exemplares de seu primeiro disco. O motivo foi a canção “Seu Waldir”, que abordava o afeto entre dois homens, conteúdo classificado pelos censores da época como atentado à moral e aos bons costumes.
Dano irreparável e o pedido oficial de desculpas
O baque da perseguição levou ao cancelamento do segundo álbum e à dissolução do grupo, que só retomou as atividades na década de 2010. Para o conselheiro Manoel Moraes, a interrupção da carreira dos músicos é um prejuízo que o dinheiro não recupera totalmente. “A interrupção da carreira deles é um dano irreparável.
Então, na verdade, o que aconteceu aqui foi o reconhecimento público e o pedido de desculpas pelos atos de exceção praticados contra esses integrantes e contra a cultura popular”, afirmou Moraes. A reparação aprovada consiste em uma prestação mensal vitalícia de R$ 2.000, além do pagamento retroativo contado a partir da data do protocolo do pedido.
Justiça e o legado da democracia na cultura
Para os fundadores Marco Polo e Almir de Oliveira, a decisão traz um misto de alívio e sensação de justiça tardia. Marco Polo, vocalista e compositor, admitiu que o trauma da proibição, embora antigo, ainda reverberava na história da banda.
Almir de Oliveira reforçou que, além do suporte financeiro, o valor simbólico do ato é o maior legado para as futuras gerações. “A certeza de que a democracia deve ser preservada agora e para sempre, para que novos episódios como esse não venham causar tantos danos ao povo brasileiro”, destacou o músico.
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A banda, que lançou seu segundo disco apenas em 2019 — 45 anos após o primeiro —, vive um momento de consagração. Em 2023, o grupo foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Recife. A anistia oficial encerra um capítulo de silenciamento forçado e reafirma a importância da liberdade de expressão artística.