Xadrez político: o avanço de Caiado, o isolamento de Moro e a crise sucessória no RJ

Xadrez político: o avanço de Caiado, o isolamento de Moro e a crise sucessória no RJ
O baile político segue em ritmo acelerado/Freepik
Publicado em 30/03/2026 às 16:30

André Pereira César

Uma série de eventos registrados nos últimos dias mostra a política em total efervescência. Tal qual um baile, os atores tentam buscar espaço e encontrar pares para dançar – nem todos com sucesso, importante frisar.

Os caminhos do PSD – O PSD já definiu seu candidato à Presidência da República: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O gaúcho Eduardo Leite, que também disputava a indicação, com a escolha de Caiado, permanecerá à frente do governo estadual.

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Já o paranaense Ratinho Júnior, que desistiu da corrida presidencial para se contrapor à candidatura do senador Sérgio Moro (PL/PR) ao governo do Paraná, também deverá concluir seu mandato. Nesse cenário, o presidente nacional do PSD, o onipresente Gilberto Kassab, aposta na formação de bancadas robustas no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas, para o que um palanque nacional será peça fundamental ao êxito do projeto.

Sérgio Moro – apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto para o governo do Paraná, Moro, que acabou de trocar o União Brasil pelo PL, já enfrenta dificuldades de monta. Em protesto à sua filiação ao PL, dezenas de prefeitos da legenda no estado anunciaram a desfiliação do partido, bem como o presidente estadual, o deputado federal Giacobo. Também o PP, aliado do PL, manifestou insatisfação com o movimento. O ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro conseguirá manter a candidatura?

Simone Tebet – recém-filiada ao PSB, Simone Tebet mudou de domicílio eleitoral e tentará uma vaga ao Senado Federal por São Paulo. Na avaliação do Planalto, seu perfil conciliador pode ajudar nas campanhas à reeleição do presidente Lula (PT) e também na disputa do governo estadual, com o ex-ministro Fernando Haddad (PT) enfrentando um fortalecido Tarcísio de Freitas (Republicanos), em especial no interior paulista, mais conservador.

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Mendonça, Fux e STF – ao rejeitar, por 8 votos a 2, a prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) expôs o enfraquecimento político do ministro André Mendonça, que havia concedido liminar favorável ao pedido e um possível freio de arrumação na Corte. Apenas o ministro Luiz Fux acompanhou o relator. Seriam dois desgarrados do restante do STF?

Eleições no Rio de Janeiro — o Supremo Tribunal Federal pautou para 8 de abril o julgamento das ações que definirão o modelo de escolha do governador que cumprirá o mandato-tampão no estado. A Corte decidirá se a sucessão ocorrerá por eleição direta, com voto popular, ou por eleição indireta, a cargo da Assembleia Legislativa.

O impasse se instalou após a renúncia de Cláudio Castro, posteriormente declarado inelegível pelo TSE, o que aprofundou a crise política e abriu uma disputa jurídica sobre o rito sucessório. Enquanto não há definição, o comando do estado permanece interinamente com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Diante do quadro de vacância e instabilidade institucional, cresce a pressão por uma solução célere, em mais um episódio da já crônica turbulência da política fluminense.

Desincompatibilização – até o próximo sábado, 4 de abril, dezesseis ministros deixarão seus cargos para disputar as eleições de outubro. Nos estados a situação é similar, com governadores e secretários saindo para focar o pleito. No caso do governo federal, os atuais secretários-executivos assumirão as pastas. Solução caseira.

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Pesquisas – o governo Lula segue perdendo musculatura política, conforme atestam os mais recentes levantamentos realizados por diferentes institutos de pesquisa. A BTG/Nexus divulgada nessa segunda-feira, 30 de março, mostra o titular do Planalto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados em primeiro turno, com 39% cada, e também no segundo turno, ambos com 46%. Quanto à avaliação do governo, 35% aprovam (ótimo ou bom), enquanto 44% desaprovam (ruim ou péssimo). O quadro é de absoluta indefinição.

*André Pereira César é cientista político e sócio da Hold Assessoria Legislativa.

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