Escalada de guerra no Oriente Médio encarece fertilizantes e ameaça agronegócio brasileiro

Escalada de guerra no Oriente Médio encarece fertilizantes e ameaça agronegócio brasileiro
Bloqueios em rotas marítimas e restrições na China elevam custos de produção no Brasil/Freepik
Publicado em 23/03/2026 às 11:30

Da redação de LexLegal

O conflito no Oriente Médio atingiu em cheio o mercado de fertilizantes, insumo vital para a produtividade recorde do campo brasileiro. A crise é agravada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, via estratégica para o escoamento de produtos vindos do Irã e do Catar, e pelas restrições de exportação impostas pela China. No Brasil, o setor acendeu o alerta, já que cerca de 90% dos fertilizantes utilizados nas lavouras são importados, representando aproximadamente 40% do custo total de produção.

Leia também: CBMA realiza 7º Congresso Internacional de Mediação em novembro no Rio

Diferente do adubo orgânico, os fertilizantes dependem de minerais e gás natural, sendo este último a base dos nitrogenados. Maciel Silva, diretor-técnico adjunto da CNA, explica que a dependência externa é um gargalo histórico.

“Todo o desenvolvimento do ciclo da cultura é dependente da nutrição por fertilizantes, que no caso do Brasil, 90% é importado. A agricultura cresceu a uma velocidade muito ampla nos últimos 30 anos, que a produção de fertilizantes não acompanhou. A gente utiliza na lavoura fertilizantes que são fontes de nitrogênio, fósforo e potássio”, afirma.

O impacto direto no bolso do consumidor depende da duração do estoque dos produtores. Para Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global, quem não antecipou as compras será o mais atingido. “Boa parte da produção, principalmente a primeira safra, está sendo entregue agora.

Então já foi utilizado fertilizantes para essa safra, né? A próxima safra deve vir ali mais ou menos pelo meio do ano? Então os produtores que não fizeram essa compra, boa parte ainda vai ser impactada pela guerra e a depender do tempo que essa guerra durar, se isso vai impactar a primeira safra do próximo ano”, analisa.

Veja também: Demarest e BMA assessoram Sherwin-Williams na compra da Suvinil por R$ 6,5 bilhões

Diante da disparada nos preços internacionais, grandes produtores em Mato Grosso já suspenderam novos contratos. Vicente Bissoni, diretor comercial de uma empresa agrícola, relata a estratégia de espera.

“A gente nesse momento tá em pausa, em suspensão de qualquer negociação de novos contratos para próxima safra de, principalmente falando de fertilizantes. E voltamos à boa e velha planilha para refazer as contas, para entender quais medidas a gente pode tomar”, diz.

SÃO PAULO WEATHER