Moraes manda prender contador suspeito de acessar dados fiscais de autoridades

Moraes manda prender contador suspeito de acessar dados fiscais de autoridades
PF aponta contador como possível mandante de esquema que teria roubado informações sigilosas de ministros, políticos e empresários/Agência Brasil
Publicado em 22/03/2026 às 12:01

Da redação de LexLegal

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do contador Washington Travassos de Azevedo, investigado por suspeita de participar de um esquema de acesso ilegal a dados fiscais de autoridades e familiares. A prisão foi executada pela Polícia Federal no dia 13 de março, e mantida após audiência de custódia realizada no dia seguinte.

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Segundo a Polícia Federal, o contador é suspeito de atuar como “um dos mandantes” da organização criminosa investigada por obter e comercializar informações sigilosas de autoridades públicas e pessoas ligadas a elas. A investigação aponta que o grupo teria atuado de forma estruturada para acessar dados protegidos por sigilo fiscal.

A audiência de custódia realizada após a prisão analisou as condições da detenção e confirmou a legalidade da ordem judicial. Esse procedimento serve para verificar se a prisão seguiu as regras previstas na legislação penal e se houve respeito à integridade física e psicológica do detido.

A apuração faz parte de uma operação iniciada em fevereiro, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra servidores públicos em três estados. A investigação surgiu após suspeitas de vazamentos de dados sigilosos da Receita Federal envolvendo autoridades.

De acordo com decisão do ministro Alexandre de Moraes, o grupo investigado teria acessado ilegalmente dados relacionados à Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física de 1.819 pessoas. O alcance do esquema inclui nomes ligados a diferentes áreas do poder público e do setor privado.

“Teria acessado dados constantes das DIRPF, entre os quais pessoas vinculadas a Ministros do STF, Ministros do TCU, Deputados Federais, ex-Senadores da República, ex-Governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública”, afirmou Moraes.

A Receita Federal informou que abriu uma auditoria interna antes mesmo da operação policial mais recente. O procedimento foi solicitado após o Supremo identificar indícios de acessos indevidos a dados fiscais nos sistemas do órgão.

“Em 12 de janeiro desde ano, o STF solicitou à Receita Federal auditoria em seus sistemas para identificar desvios no acesso a dados de ministros da Corte, parentes e outros nos últimos 3 anos. O trabalho foi incluído em procedimento que já havia sido aberto no dia anterior pela Corregedoria da Receita Federal com base em notícias veiculadas pela imprensa”, diz nota da Receita.

O órgão afirmou ainda que mantém controle rígido sobre o acesso a dados fiscais e que não admite irregularidades envolvendo sigilo de contribuintes. A Receita também destacou que processos disciplinares recentes resultaram em punições administrativas.

“A auditoria, que envolve dezenas de sistemas e contribuintes, está em andamento, sendo que desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF. Os sistemas da Receita Federal são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal”, prossegue a nota.

A investigação segue em andamento e busca identificar outros envolvidos e a extensão do eventual uso indevido de informações protegidas por sigilo fiscal.

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O caso reforça o alerta sobre o uso ilegal de dados fiscais e o impacto que vazamentos desse tipo podem ter sobre autoridades e cidadãos comuns, especialmente em um cenário de digitalização crescente dos sistemas públicos.

SÃO PAULO WEATHER