Mutirão do Ministério da Saúde fará cirurgias e exames só para mulheres neste fim de semana

Mutirão do Ministério da Saúde fará cirurgias e exames só para mulheres neste fim de semana
Ação nacional neste fim de semana mobiliza hospitais do SUS, oferece transporte gratuito e concentra atendimentos já regulados para reduzir filas/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 21/03/2026 às 16:00

Da redação de LexLegal

O Ministério da Saúde vai concentrar neste sábado (21) e domingo (22) um mutirão nacional voltado exclusivamente para mulheres, com exames, cirurgias e procedimentos já agendados em hospitais públicos, privados e filantrópicos de todas as regiões do país. A iniciativa mira a redução de filas e tenta acelerar atendimentos represados em áreas sensíveis da saúde feminina e de especialidades com demanda acumulada.

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Segundo a pasta, o atendimento foi organizado previamente pelos gestores locais de saúde e pelas centrais de regulação, que são as estruturas responsáveis por ordenar quem será atendido, quando e em qual unidade. Isso significa que o mutirão não será de porta aberta. O público será formado por pacientes já selecionadas e chamadas antes, de acordo com prioridade clínica e disponibilidade da rede.

Em nota, o ministério resumiu o objetivo da ação. “Trata-se de uma união de esforços para a realização de todos os atendimentos previamente agendados”, informou o ministério em nota.

A ofensiva inclui exames usados para diagnóstico e definição de tratamento, como tomografias, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias. Em linguagem simples, são procedimentos que ajudam médicos a identificar doenças, medir a extensão de um problema de saúde e decidir a conduta clínica mais adequada. Ao concentrar esse tipo de atendimento em dois dias, o governo tenta dar vazão a uma fila que costuma andar mais devagar justamente por depender de estrutura, equipamento e equipe especializada.

Também foram incluídas cirurgias ginecológicas e procedimentos gerais. Entre eles estão histerectomia, reconstrução mamária, retirada de tumor no útero e laqueadura. Na parte de cirurgias gerais, a programação reúne ainda operações de catarata, tratamento de varizes e retirada de hérnia, vesícula e tumores de pele. O desenho do mutirão mostra que o foco vai além da saúde reprodutiva e alcança diferentes etapas da vida das pacientes.

O ministério informou que o público-alvo inclui crianças, adolescentes, jovens, adultas e idosas. A escolha por um mutirão exclusivo para mulheres carrega também um recorte de acesso. Em muitos casos, exames e cirurgias ligados à saúde feminina acabam sendo adiados por dificuldade de deslocamento, demora na regulação ou sobrecarga da rede local.

A lista de instituições mobilizadas mostra a dimensão da operação. Participam santas casas e outras entidades filantrópicas, seis hospitais federais, o Instituto Nacional de Cardiologia, o Into, o Inca e 45 hospitais universitários federais distribuídos em 25 estados. Ao reunir unidades de perfis diferentes, o ministério tenta ampliar a capilaridade do atendimento sem depender só da estrutura tradicional da rede municipal e estadual.

Outro ponto do mutirão é a oferta de 3,8 mil implantes de Implanon a pacientes do SUS. O Implanon é um contraceptivo colocado sob a pele, no braço, que libera hormônio de forma contínua e pode durar cerca de três anos. O método costuma ser apontado como mais eficaz do que opções de uso diário porque reduz a chance de falha por esquecimento e exige menos intervenção da paciente no dia a dia.

A operação também terá um braço logístico para tentar resolver um dos maiores gargalos do sistema público: chegar até o atendimento. O ministério informou que 36 mil pacientes que vivem em áreas mais distantes terão transporte gratuito para ir a hospitais e clínicas. A medida foi viabilizada por parceria com o aplicativo 99 e prevê 73 mil vouchers, já considerando ida e volta, com valor de até R$ 150 por deslocamento.

Em nota, a pasta detalhou esse braço da ação. “Viabilizada por uma parceria firmada entre a pasta e o aplicativo de mobilidade urbana 99, a iniciativa conta com 73 mil vouchers de deslocamentos – ida e volta – no valor de até R$ 150”, informou o ministério.

Os cupons poderão ser usados entre os dias 20 e 23 de março em 40 cidades, das quais 21 são capitais. A distribuição ficará a cargo das secretarias locais de saúde. Cada paciente receberá um código individual e instruções para instalar o aplicativo, ativar o voucher e usar o benefício até a unidade onde ocorrerá o procedimento.

O mutirão também incluiu uma frente específica para mulheres indígenas que vivem longe dos centros urbanos ou em locais de difícil acesso. Nesses casos, o Ministério da Saúde informou que haverá transporte e hospedagem gratuitos nas Casas de Apoio à Saúde Indígena, conhecidas como Casais. Essas estruturas funcionam como apoio temporário para pacientes indígenas em deslocamento para tratamento fora de suas comunidades.

As pacientes serão atendidas por hospitais universitários próximos a esses territórios em cidades como Boa Vista, Brasília, Goiânia, Manaus, Belém, São Luís, Maceió, Macapá, Cuiabá, Araguaína, Campo Grande e Dourados. O ministério afirmou que essas unidades já mantêm atendimento regular à saúde indígena, o que permite respostas mais rápidas e integradas.

A pasta destacou esse ponto ao justificar a estratégia. “Esses hospitais já ofertam atendimento à saúde indígena ao longo do ano, permitindo respostas mais rápidas e qualificadas às demandas de saúde, garantindo atendimento humanizado e resolutivo para essa população.”

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O mutirão concentra em um fim de semana uma operação grande de regulação, transporte e assistência para tentar reduzir atrasos em exames e cirurgias que afetam diretamente a vida de mulheres em diferentes faixas etárias. O teste agora será medir se a ação consegue produzir efeito real sobre a fila do SUS ou se funcionará mais como resposta pontual a um problema estrutural de acesso.

SÃO PAULO WEATHER