Durigan ameaça novas medidas contra alta do diesel se estados rejeitarem ICMS

Durigan ameaça novas medidas contra alta do diesel se estados rejeitarem ICMS
Novo ministro da Fazenda diz que governo não ficará parado diante da pressão dos combustíveis após crise no Oriente Médio/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 21/03/2026 às 13:00

Da redação de LexLegal

No primeiro pronunciamento como ministro da Fazenda, Dario Durigan afirmou que o governo federal prepara novas ações para conter a alta do diesel caso os estados resistam à proposta de zerar o ICMS sobre a importação do combustível. O ICMS é o imposto estadual cobrado sobre circulação de mercadorias e serviços e pesa diretamente no preço final pago pelo consumidor.

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Durigan assumiu o cargo sob pressão de um cenário externo que voltou a mexer com a inflação e com o custo do transporte no Brasil. A disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio fez o governo correr para tentar segurar o diesel, insumo central para caminhoneiros, frete e abastecimento de produtos em todo o país. O ministro disse que a equipe econômica não vai esperar a crise se agravar para agir. “Não deixaremos de apresentar outras medidas assim que necessário”, afirmou.

A principal proposta colocada na mesa nesta semana foi a desoneração do ICMS sobre o diesel importado até o fim de maio. Em termos práticos, isso significa aliviar temporariamente o imposto estadual cobrado sobre o combustível que entra de fora do país. Para tentar convencer os governadores, a União ofereceu compensar metade da perda de arrecadação. Segundo Durigan, o custo estimado da medida é de cerca de R$ 3 bilhões por mês.

Até agora, porém, o apoio dos estados segue baixo. “Somente o governador do Piauí deu retorno, concordando com a desoneração”, disse. O ministro classificou a proposta como “generosa” e tentou passar a mensagem de que o governo federal está disposto a dividir o impacto fiscal com os governadores, em vez de empurrar sozinho a conta da crise.

Durigan também afirmou que outras frentes já estão em andamento para segurar o preço dos combustíveis. Entre elas, citou reforço na fiscalização, ajustes na tabela de frete e desoneração de tributos federais como PIS/Cofins sobre o diesel.

PIS e Cofins são contribuições cobradas pela União e, quando reduzidas ou zeradas, tendem a aliviar parte do custo do produto. O ministro indicou ainda que o Planalto pode ampliar a intervenção, a depender do rumo da guerra e do mercado internacional. “Temos uma série de medidas que podem ser adotadas a depender de para onde for essa guerra e o preço dos combustíveis”, afirmou.

A preocupação com o diesel tem também um componente político imediato. Nas últimas semanas, cresceram rumores sobre possível paralisação de caminhoneiros, o que elevou o alerta do governo. Durigan disse que houve uma trégua inicial depois do anúncio das medidas emergenciais. “Vimos um distensionamento, pelo menos em primeira aproximação”, disse.

Ao falar sobre sua gestão, o novo ministro buscou transmitir continuidade. Ex-secretário-executivo da Fazenda, Durigan disse que vai preservar a linha de Fernando Haddad, de quem era o principal auxiliar na pasta. “O trabalho sob a minha condução será de continuidade da gestão do ministro Fernando Haddad, com projetos aprovados e distorções corrigidas”, afirmou.

Além da crise dos combustíveis, Durigan listou prioridades mais amplas para a área econômica. Falou em ajuste fiscal, revisão de benefícios tributários, melhora da eficiência do gasto público, aperfeiçoamento do sistema de crédito e regulação da concorrência em plataformas digitais.

Também disse que pretende aprofundar o programa Eco Invest Brasil, voltado à atração de capital privado para projetos socioambientais, e indicou nova emissão de títulos sustentáveis ainda neste ano. “A economia faz sentido quando percebemos resultados concretos na vida das pessoas”, disse.

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A estreia de Durigan no comando da Fazenda mostra um ministro já pressionado por uma crise externa, por negociações difíceis com os estados e por um setor sensível como o transporte rodoviário. A resposta do governo ao diesel virou o primeiro teste político e fiscal da nova gestão.

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