Instituto Nacional de Traumatologia inaugura centro de impressão 3D para próteses e cirurgias

Instituto Nacional de Traumatologia inaugura centro de impressão 3D para próteses e cirurgias
Nova unidade no Rio amplia produção de próteses sob medida e ajuda a planejar operações com mais precisão na rede pública/PUC-PR/Divulgação
Publicado em 21/03/2026 às 14:00

Da redação de LexLegal

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia inaugurou no Caju, zona norte do Rio, o Centro Tecnológico de Impressão 3D e Reabilitação. A nova estrutura foi criada para ampliar a produção de próteses personalizadas, biomodelos e guias cirúrgicos, ferramentas usadas para adaptar tratamentos e cirurgias às características de cada paciente atendido pelo SUS.

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A aposta do Into é acelerar uma tecnologia que vinha sendo usada em escala menor e que agora ganha espaço próprio dentro da rede pública. Na prática, a impressão 3D permite fabricar peças sob medida a partir de modelos digitais, o que ajuda tanto na reabilitação quanto no planejamento cirúrgico. Em vez de trabalhar apenas com soluções padronizadas, a equipe consegue desenhar próteses e instrumentos com base na anatomia real do paciente.

Segundo o diretor-geral do instituto, José Paulo Gabbi, a nova unidade representa um salto na capacidade tecnológica do hospital. “Esse centro vai proporcionar a entrega de próteses construídas através da tecnologia 3D, 100% criada pelo Into”, disse Gabbi. De acordo com o diretor-geral, a expectativa é entregar 200 próteses por ano.

O número mostra uma mudança de escala. Nos últimos três anos, o instituto produziu cerca de 70 próteses com impressão 3D. Agora, com a modernização dos equipamentos, a projeção é triplicar a produção ao longo de 2026. O foco está principalmente em peças de maior porte, como próteses de membros inferiores, que exigem mais robustez e precisão.

Além de ampliar volume, a nova estrutura promete reduzir tempo. Segundo o instituto, dispositivos que antes levavam cerca de dez horas para serem impressos poderão ficar prontos em aproximadamente quatro horas. Isso encurta etapas do tratamento e pode acelerar a entrega ao paciente, um ponto sensível em qualquer serviço público de saúde com demanda represada.

O ganho não está só na velocidade. O Into afirma que os novos equipamentos consomem menos energia e aceitam diferentes tipos de filamento, material usado na impressão das peças. Essa flexibilidade interfere diretamente no acabamento e na resistência da prótese, o que pode tornar o uso mais confortável e mais estável na rotina de quem depende do dispositivo.

Outro eixo da unidade está na produção de biomodelos e guias cirúrgicos. Biomodelos são réplicas físicas de partes do corpo feitas a partir de exames de imagem. Guias cirúrgicos são peças desenhadas para orientar cortes, encaixes ou posicionamentos durante a operação. Em linguagem simples, eles funcionam como um mapa mais preciso para o cirurgião antes e durante o procedimento.

Segundo o instituto, esse tipo de material pode ajudar a reduzir o tempo de internação e aumentar a previsibilidade do resultado cirúrgico. Isso porque a equipe entra no centro cirúrgico com mais informação prática sobre o caso, diminuindo improvisos e tornando a intervenção mais planejada.

A inauguração também ocorre num momento em que hospitais públicos tentam incorporar tecnologia sem ficar restritos a projetos-piloto ou experiências isoladas. No caso do Into, o desafio agora será transformar a nova estrutura em produção regular, com impacto real sobre fila, reabilitação e qualidade do atendimento.

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Se a promessa se confirmar, o novo centro pode virar uma vitrine de como a impressão 3D começa a sair do discurso de inovação e entrar de forma mais concreta na rotina do SUS. A diferença, nesse caso, não está na novidade em si, mas na capacidade de fazer a tecnologia chegar ao paciente com mais rapidez, adaptação e precisão.

SÃO PAULO WEATHER