Ministério Público fará campanha contra assédio eleitoral nas eleições de 2026

Da redação de LexLegal
O Ministério Público do Trabalho prepara uma nova campanha nacional sobre assédio eleitoral no ambiente de trabalho para as eleições deste ano. A data oficial de lançamento ainda não foi divulgada, mas o órgão já começou a publicar mensagens sobre o tema em seus perfis nas redes sociais, em meio à abertura do calendário eleitoral de 2026.
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A movimentação ocorre num cenário em que a Justiça Eleitoral passou a reforçar expressamente a proibição de propaganda política e de assédio eleitoral em ambientes de trabalho públicos e privados. A vedação foi incorporada à Resolução nº 23.755 do Tribunal Superior Eleitoral, publicada em 2 de março, após sugestão técnica apresentada pelo próprio MPT.
O procurador Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho do MPT, definiu o problema de forma direta. Assédio eleitoral é “a conduta do empregador que, de algum modo, constrange o trabalhador ou a trabalhadora em relação à sua orientação política, dentro de um contexto eleitoral”.
Ele acrescenta que a prática “é a prática do empregador que gera esse constrangimento e cerceia a liberdade dos empregados quanto à manifestação de pensamento ou até mesmo para intimidá-lo a votar ou não em determinado candidato”.
Na prática, o que está em jogo é a liberdade de voto dentro da relação de trabalho. O MPT trata o tema como uma forma de pressão patronal que pode ocorrer por meio de ameaças, cobranças, reuniões, mensagens e recados velados ou explícitos.
Para o procurador, o problema ultrapassa o conflito trabalhista e atinge o próprio processo democrático. “É um problema para o Brasil, não só para os trabalhadores, mas também para a própria democracia. A liberdade de pensamento é um direito dos mais fundamentais.”
Igor Sousa Gonçalves compara esse tipo de intimidação a “um voto de cabresto moderno”, numa referência ao controle político exercido por chefes locais na República Velha. A analogia ajuda a traduzir o núcleo do problema: o trabalhador continua formalmente livre para votar, mas passa a sofrer pressão de quem tem poder econômico ou hierárquico sobre sua vida profissional.
O MPT orienta que casos do tipo sejam denunciados pelo portal do órgão, na aba “Denuncie”. Segundo o procurador, o trabalhador pode apresentar mensagens recebidas, nomes de envolvidos e até gravações de reuniões em que a pressão tenha ocorrido. “Tudo isso vai dar maior celeridade na investigação do Ministério Público do Trabalho”, ressalta.
A preocupação não é teórica. Nas eleições de 2022, o Ministério Público do Trabalho recebeu 3.465 denúncias e 2.467 empresas ou empregadores foram denunciados. A Região Sudeste concentrou 1.272 casos, seguida pelo Sul, com 988, pelo Nordeste, com 565, pelo Centro-Oeste, com 335, e pelo Norte, com 305. Entre os estados, Minas Gerais liderou, com 641 ocorrências, à frente de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O pano de fundo de 2026 amplia o peso dessa vigilância. Em 4 de outubro, o eleitorado vai escolher presidente da República, 27 governadores, 54 senadores, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais, com eventual segundo turno previsto para 25 de outubro para presidente e governador. Com essa dimensão, o ambiente de trabalho volta a ser um dos focos mais sensíveis para tentativas de coação política.
A nova campanha do MPT tende a funcionar em duas frentes. De um lado, busca prevenir abusos por meio de informação e pressão institucional. De outro, reforça que empregador que constrange trabalhador por motivo político pode responder por violação à liberdade de voto e à legislação trabalhista e eleitoral. A inclusão expressa do tema na norma do TSE fortalece essa linha de atuação e dá base mais clara para reação rápida em pleno ano eleitoral.
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Com o histórico recorde de denúncias em 2022 e a eleição geral marcada para outubro, o recado do MPT é simples: chefia não vota pelo empregado. A nova ofensiva tenta impedir que a disputa política entre na empresa como instrumento de intimidação e transforme o local de trabalho em extensão de campanha.