Operação do MPRJ mira Rogério Andrade e policiais ligados ao jogo do bicho

Operação do MPRJ mira Rogério Andrade e policiais ligados ao jogo do bicho
Gaeco cumpre 20 mandados contra grupo que protegia jogo ilegal/Fernando Frazão/Agência Brasil
Publicado em 10/03/2026 às 13:00

Da redação de LexLegal

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou nesta terça-feira (10) uma operação contra uma estrutura de segurança ligada ao bicheiro Rogério de Andrade. Ao todo, foram expedidos 20 mandados de prisão preventiva contra integrantes do grupo que atuava na região de Bangu, na zona oeste da capital fluminense.

Rogério de Andrade já está preso desde novembro de 2024 na penitenciária federal de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A investigação aponta que ele mantinha um núcleo de proteção formado por agentes públicos para garantir o funcionamento de pontos de exploração ilegal de jogos de azar.

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Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), entre os alvos da operação estão 18 policiais militares e penais. Alguns já não estão na ativa. Também há um policial civil investigado que teria começado a atuar para a organização ainda enquanto exercia função pública.

As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital. Os mandados estão sendo cumpridos em diferentes cidades da Região Metropolitana do Rio e também na penitenciária federal onde Rogério Andrade está detido.

A operação conta com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ, da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, da Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária e da Corregedoria da Polícia Civil.

De acordo com os promotores, os investigados atuavam como uma espécie de aparato de segurança para proteger locais onde funcionavam máquinas e bancas de jogo do bicho. O grupo também é suspeito de usar esquemas de corrupção para impedir ações policiais e garantir a continuidade da atividade ilegal.

Os denunciados devem responder por organização criminosa armada. A acusação inclui agravantes pelo uso de servidores públicos e pela conexão com outras estruturas criminosas. Também há imputação de corrupção ativa e corrupção passiva.

Na prática, o crime de organização criminosa ocorre quando quatro ou mais pessoas se associam de forma estruturada para cometer delitos de forma contínua. Quando há participação de agentes públicos ou uso de armas, a legislação prevê aumento de pena.

Já a corrupção ativa e passiva envolve, respectivamente, oferecer vantagem indevida a funcionário público ou receber esse benefício em troca de favorecer interesses ilegais.

Os mandados são cumpridos em endereços localizados nas cidades do Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti.

Entre os policiais militares denunciados estão agentes que atuavam em diferentes unidades da corporação, incluindo a Subsecretaria de Gestão de Pessoas, o Batalhão de Policiamento de Vias Expressas e batalhões operacionais espalhados pela capital.

Rogério de Andrade é um dos nomes mais conhecidos da história recente do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Ele é sobrinho de Castor de Andrade, que durante décadas foi apontado como um dos principais chefes da contravenção no estado e também patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

Após a morte de Castor, em 1997, uma disputa familiar pelo controle do império do jogo do bicho desencadeou uma série de conflitos violentos. Entre eles está o assassinato de Paulinho de Andrade, filho de Castor, morto em 1998 na Barra da Tijuca. O crime foi atribuído a Rogério Andrade.

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Outro episódio central dessa disputa foi a morte de Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade. Ele foi assassinado em 2020 no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, logo após desembarcar de helicóptero.

Iggnácio havia retornado de sua casa em Angra dos Reis quando foi surpreendido por disparos de fuzil feitos por um atirador escondido em um terreno próximo ao heliporto. Ele foi atingido por três tiros, um deles na cabeça, e morreu no local.

A prisão de Rogério Andrade em outubro de 2024 ocorreu justamente no contexto das investigações sobre esse homicídio, no qual ele foi apontado como mandante.

SÃO PAULO WEATHER