Produtores denunciam falta de diesel no RS e temem impacto na colheita

Da redação de LexLegal
Produtores rurais do Rio Grande do Sul relatam dificuldades para receber óleo diesel nas propriedades e alertam que a situação pode comprometer a colheita da safra de verão no estado. A queixa ocorre justamente no período mais intenso de retirada de grãos do campo.
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A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou um comunicado público afirmando que a situação é considerada crítica. Segundo a entidade, agricultores têm relatado interrupção na entrega de combustível por parte de empresas responsáveis pela distribuição nas últimas horas.
“A Farsul vem a público externar sua preocupação com reclamações recorrentes, por parte de produtores rurais, da não entrega de combustíveis pelos Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs) nas últimas 48 horas e a informação de que o serviço não será normalizado neste final de semana”, escreveu a Farsul.
Os Transportadores Revendedores Retalhistas, conhecidos pela sigla TRR, são empresas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo para comprar combustíveis em grandes volumes e revendê-los diretamente a consumidores específicos, como produtores rurais.
Além da revenda, essas empresas também são responsáveis pelo armazenamento, transporte, controle de qualidade e assistência técnica na comercialização de combustíveis.
Segundo a Farsul, as empresas responsáveis pela entrega do diesel nas propriedades alegam que o problema teria começado nas refinarias, com interrupções inesperadas na distribuição. O alerta ocorre em um momento sensível para a produção agrícola do estado. O Rio Grande do Sul está no auge da colheita da safra de verão, especialmente das culturas de soja e arroz.
O estado lidera a produção nacional de arroz e responde por cerca de 70% de todo o volume produzido no país. Para os produtores, atrasos no abastecimento podem comprometer diretamente a retirada da produção das lavouras.
“A Farsul ressalta a gravidade da situação. O Rio Grande do Sul está em meio a colheita da safra de verão, em especial arroz e soja. O atraso no trabalho faz com que as lavouras fiquem expostas a intempéries em um estado que já vem sofrendo volumoso prejuízo pelo acúmulo de perdas em razão de eventos climáticos, impactando em toda a economia gaúcha”.
A preocupação ocorre após um período recente de perdas agrícolas no estado causadas por eventos climáticos extremos. A interrupção no fornecimento de combustível, segundo produtores, pode atrasar a operação de máquinas agrícolas e dificultar o transporte da produção.
Após a manifestação da Farsul, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis informou que está monitorando o caso. Segundo o órgão regulador, técnicos passaram a acompanhar a situação após relatos de dificuldade na aquisição do combustível por parte de produtores.
Em nota, a ANP afirmou que o estado possui estoques suficientes para garantir o abastecimento. De acordo com a agência, o fornecimento de diesel continua ocorrendo normalmente por parte do principal fornecedor da região.
A ANP também informou que notificou formalmente distribuidoras para que prestem esclarecimentos sobre volumes disponíveis, pedidos recebidos e entregas realizadas.
“Cabe destacar que o Rio Grande do Sul é um estado que produz mais diesel do que consome, encontra-se com nível de estoque regular e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto. Além disso, informamos que aumentos de preços injustificados no estado também serão objeto de investigação da ANP em conjunto com órgãos de defesa do consumidor.”
A Petrobras também se manifestou sobre o caso. Segundo a estatal, não houve mudanças na programação de entrega de diesel pelas refinarias.
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A empresa afirmou que os volumes enviados ao estado seguem dentro do planejamento estabelecido. A companhia declarou ainda que o abastecimento destinado ao Rio Grande do Sul está sendo realizado normalmente.
O impasse entre produtores e distribuidores ocorre em um momento decisivo para a colheita e pode ter impacto direto na produção agrícola caso o abastecimento não seja normalizado rapidamente.