SP vai registrar casos de violência doméstica no local da ocorrência

SP vai registrar casos de violência doméstica no local da ocorrência
Polícia poderá fazer boletim na rua para acelerar proteção às vítimas/Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado em 10/03/2026 às 6:30

Da redação de LexLegal

O governo de São Paulo começará a testar um novo sistema que permite registrar casos de violência doméstica diretamente no local da ocorrência. A medida pretende evitar que a vítima tenha de ir até uma delegacia para formalizar a denúncia.

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O projeto piloto será iniciado até o fim de março na cidade de Santos, no litoral paulista. A iniciativa foi anunciada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. Pelo novo modelo, quando uma equipe da Polícia Militar for acionada pelo telefone 190, o próprio policial poderá registrar o Boletim de Ocorrência no local do atendimento, desde que a vítima autorize.

Os dados coletados serão enviados automaticamente para a Delegacia de Defesa da Mulher Online, responsável por analisar a situação e dar andamento às medidas cabíveis. A proposta busca reduzir um problema recorrente em casos de violência doméstica: a dificuldade de formalização da denúncia após o primeiro atendimento policial.

Segundo autoridades de segurança, muitas vítimas deixam de registrar oficialmente o caso por medo, pressão familiar ou dificuldade de deslocamento até uma delegacia. O coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle, tenente-coronel Rodrigo Vilardi, afirma que a nova ferramenta tenta eliminar essa etapa do processo.

“[O policial] continuará atendendo a ocorrência como já faz hoje. A diferença é que agora o registro já é feito ali mesmo e compartilhado com a Polícia Civil, diminuindo a chance de que a vítima deixe de formalizar a denúncia e continue exposta à violência”, explicou.

Além do registro do boletim de ocorrência, o sistema também permitirá o preenchimento do Formulário Nacional de Avaliação de Risco, conhecido pela sigla Fonar. Esse instrumento é usado para identificar o grau de vulnerabilidade da vítima e avaliar o risco de novas agressões.

Com base nessas informações, a Delegacia da Mulher Online poderá solicitar com mais rapidez medidas protetivas de urgência ao Poder Judiciário. As medidas protetivas são decisões judiciais previstas na Lei Maria da Penha e podem incluir o afastamento imediato do agressor, proibição de contato com a vítima e restrições de aproximação.

Segundo o governo estadual, a integração entre as polícias e os sistemas digitais deve acelerar esse processo. A secretária estadual de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, afirma que a iniciativa busca reduzir o tempo entre a denúncia e a adoção das medidas de proteção.

“A violência doméstica exige uma resposta rápida e coordenada. Ao integrar as polícias e a rede de proteção desde o primeiro atendimento, garantimos que a mulher não fique sozinha no momento em que decide pedir ajuda”, disse.

A expectativa da Secretaria de Segurança Pública é que, após os testes iniciais em Santos, o sistema seja ampliado para outras cidades do estado.

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Segundo o governo paulista, a meta é expandir o modelo gradualmente até que ele passe a ser utilizado em todo o território estadual.

SÃO PAULO WEATHER