PGR pede arquivamento de investigação sobre joias sauditas de Bolsonaro

PGR pede arquivamento de investigação sobre joias sauditas de Bolsonaro
Procuradoria diz que falta regra clara sobre presentes recebidos por presidentes/X/Reprodução
Publicado em 05/03/2026 às 13:00

Da redação de LexLegal

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quinta-feira (5) o arquivamento da investigação que apura o suposto desvio de joias sauditas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

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O caso envolve presentes recebidos por Bolsonaro durante viagens oficiais, entre eles joias enviadas por autoridades da Arábia Saudita. Parte desses itens teria sido retirada do acervo presidencial e posteriormente vendida nos Estados Unidos.

A suspeita surgiu a partir da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República. Segundo o depoimento, objetos recebidos pelo ex-presidente, incluindo relógios de luxo, teriam sido negociados no exterior.

Para a Procuradoria-Geral da República, porém, a legislação brasileira não define com precisão se os presentes recebidos durante o mandato pertencem ao chefe de Estado ou ao patrimônio público.

“A propriedade dos bens recebidos pelo Presidente da República durante o exercício do mandato é marcada por persistente indeterminação normativa, em que se sucedem aproximações infralegais fragmentárias e oscilantes”, diz o parecer do órgão acusador.

A manifestação da PGR vai na direção oposta ao relatório da Polícia Federal. Em julho de 2024, a corporação indiciou Bolsonaro e outras 11 pessoas por suposto desvio de itens de alto valor do acervo presidencial.

De acordo com a investigação policial, teria sido estruturado um grupo com o objetivo de retirar presentes oficiais recebidos pelo ex-presidente para posterior venda no exterior.

Segundo a Polícia Federal, o valor estimado dos itens negociados chegaria a R$ 6,8 milhões.

“Identificou-se ainda que os valores obtidos dessas vendas eram convertidos em dinheiro em espécie e ingressavam no patrimônio pessoal do ex-presidente da República, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem localização e propriedade dos valores”, aponta o relatório da PF.

Entre os objetos mencionados na investigação estão esculturas de um barco e de uma palmeira folhadas a ouro. As peças teriam sido recebidas por Bolsonaro durante uma viagem oficial ao Bahrein em 2021.

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A defesa do ex-presidente sempre sustentou que Bolsonaro não tinha controle direto sobre o destino dos presentes recebidos durante compromissos internacionais.

Os advogados afirmam que o ex-presidente não tinha “qualquer ingerência” sobre a administração ou guarda desses itens após o recebimento nas agendas oficiais.

SÃO PAULO WEATHER