PF faz operação contra grupo que vazava dados de ministros do STF

PF faz operação contra grupo que vazava dados de ministros do STF
Operação Dataleaks investiga venda e adulteração de dados sensíveis/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 05/03/2026 às 13:30

Da redação de LexLegal

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Dataleaks para investigar a criação e o uso de uma base de dados clandestina com informações pessoais e sensíveis de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de coletar e comercializar dados obtidos ilegalmente.

Leia também: Venda de veículos sobe 4,13% em fevereiro com impulso de carros sustentáveis

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado atuava de forma estruturada na obtenção e na manipulação de informações provenientes de sistemas públicos e privados. O material era posteriormente comercializado ou divulgado de forma ilegal.

Em nota oficial, a corporação afirmou que a organização criminosa seria “especializada na obtenção, na adulteração, na comercialização e na disseminação ilícita de dados pessoais e sensíveis provenientes de bases governamentais e privadas”.

As investigações começaram após a descoberta de uma base de dados paralela abastecida com informações extraídas por acessos indevidos a plataformas governamentais. Entre os dados identificados estavam registros pessoais de ministros do Supremo Tribunal Federal.

A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva. As medidas são executadas nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal. O relator da investigação é o ministro Alexandre de Moraes, que conduz um inquérito sigiloso sobre o caso.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder por diversos crimes ligados à obtenção e à exploração ilegal de dados. Entre as suspeitas estão organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro.

A investigação também apura se informações obtidas em sistemas públicos foram manipuladas ou alteradas antes de serem distribuídas ou vendidas a terceiros.

Em outra frente de investigação relacionada ao vazamento de dados, a Polícia Federal já havia realizado uma operação para apurar possíveis acessos irregulares a informações da Receita Federal envolvendo autoridades públicas.

Na ocasião, mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra servidores públicos em diferentes estados. A suspeita era de quebra ilegal de sigilo de ministros do Supremo e de familiares deles.

A ação ocorreu após representação da Procuradoria-Geral da República e autorização do ministro Alexandre de Moraes.

Veja também: A guerra da informação e o novo campo de batalha global no século 21

Além das buscas e prisões, a Justiça autorizou medidas cautelares contra investigados. Entre elas estão uso de tornozeleira eletrônica, afastamento de função pública, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país.

SÃO PAULO WEATHER