Gleisi deixa ministério para o Senado e Olavo Noleto assume articulação

Gleisi deixa ministério para o Senado e Olavo Noleto assume articulação
Ministra das Relações Institucionais confirma saída em 31 de março e foca debate em falhas nas medidas protetivas contra feminicídio/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 04/03/2026 às 15:10

Da redação de LexLegal

A ministra Gleisi Hoffmann confirmou nesta quarta-feira (4) que deixará a Secretaria de Relações Institucionais em 31 de março. Ela cumprirá o calendário eleitoral para disputar uma vaga no Senado Federal.

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Olavo Noleto, atual secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, assumirá o posto. O anúncio ocorreu durante seminário sobre o enfrentamento ao feminicídio, em Brasília.

No evento, Gleisi revelou que 13% das vítimas de feminicídio no Brasil possuíam medidas protetivas no momento do crime. Ela cobrou do Conselhão maior efetividade e agilidade na aplicação desses mecanismos de defesa.

A ministra associou a persistência da violência a raízes históricas de dominação. Para ela, a desigualdade resiste mesmo com a maior ocupação de espaços de poder por mulheres na política e na iniciativa privada.

“É um problema cultural da nossa sociedade, que vem da educação. Não tem 100 anos que as mulheres entraram no mundo público e da iniciativa privada e que saíram das suas casas para entrar em empresas, na área política. O voto é da década de 1930 e ainda assim começou muito pequeno e com grande resistência”, diz.

Gleisi pontuou que o Código Civil tratou, por muito tempo, a mulher como extensão da propriedade do marido. A ministra recordou que o papel feminino era restrito ao ambiente doméstico e sob permissão masculina.

“O Código Civil dizia isso até pouco tempo atrás. A mulher tinha que pedir permissão para tudo: para sair, para estudar, para fazer outras coisas. O papel dela era ficar em casa no cuidado”, recordou a ministra.

O seminário é parte do Pacto entre os Três Poderes, lançado em fevereiro para integrar a rede de proteção. O grupo busca soluções conjuntas entre o Executivo, Legislativo e Judiciário para frear a letalidade contra mulheres.

A ativista Maria da Penha participou do encontro, que reúne setor público e sociedade civil. O governo reforça que denúncias devem ser feitas pelo Ligue 180 ou, em emergências, pelo 190 da Polícia Militar.

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A sucessão na Secretaria ocorre em momento de pressão por pautas sociais no Planalto. Noleto, braço direito da ministra no Conselhão, terá o desafio de manter a interlocução com o Congresso durante o ano eleitoral.

SÃO PAULO WEATHER